terça-feira, 20 de outubro de 2015

Você precisa de um homem-troféu?

Como já mostrei em outros textos, para muitas mulheres, especialmente para aquelas com mais de 40 anos, ter um marido é um verdadeiro capital. No entanto, não é qualquer homem que pode ser o "capital marital". Alguns requisitos são necessários. Um dos mais importantes é que ele seja fiel. Ou, melhor ainda, que ela acredite que ele é fiel. Outro é que ele demonstre ter desejo por ela (e só por ela).
Uma empresária de 43 anos disse:
"Ando tão cansada que não tenho vontade de nada, muito menos de sexo. Mas o fato do meu marido ainda querer transar comigo levanta a minha autoestima. Eu ficaria sem sexo por muito tempo. Ele não deixa. Acho que se não fosse por ele, eu seria uma velha gorda e desleixada, aposentada do sexo. Preciso do desejo dele para continuar me sentindo uma mulher atraente."
Uma atriz de 58 anos fala do desejo do marido por ela com verdadeiro orgulho, quase como se fosse um troféu a ser exibido.
"Tenho amigas muito mais jovens e bonitas do que eu. Seus maridos são infiéis, nem transam mais com elas. Elas se sentem ignoradas, invisíveis, descartáveis. Sou casada há 35 anos e meu marido ainda tem o maior tesão por mim. Transamos três ou quatro vezes por semana. Quando viajamos, transamos todos os dias. Acho uma delícia sentir que ele fica excitado só de encostar em mim. É a prova mais concreta que ainda sou uma mulher desejável."
Chama atenção o fato de elas usarem o "ainda" com muita frequência. O fato de o marido "ainda" querer transar com ela, no primeiro caso, ou de ela "ainda" se sentir desejável, no segundo, revela que o desejo masculino é uma forma de reconhecimento que elas temem perder. Elas têm medo de deixarem de ser atraentes sexualmente, de se tornarem invisíveis como mulheres, de não conseguirem mais provocar o desejo masculino.
Em muitos casos, elas não falam do próprio desejo. Em outros, demonstram até desinteresse sexual. Mas o fato de "ainda" serem desejadas parece ser uma forma de reconhecimento e também uma fonte de poder.
A atriz concluiu: "Não importa se gozo ou não, pois meu maior prazer é sentir que ele ainda fica excitado comigo. Não existe desejo maior do que o de ser desejada pelo homem que eu amo. Que mulher não precisa disso?"


Texto de Mirian Goldenberg, na Folha de São Paulo

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