terça-feira, 16 de agosto de 2016

Nazismo é uma questão polêmica, melhor não opinar

Hoje a gente vai falar sobre a SUPOSTA escravidão que teria ocorrido no Brasil no século 19.
Oi, Marquinho? Por que "suposta"? Porque há controvérsias, há quem prefira chamar de mão-de-obra gratuita, e se eu chamar de escravidão, eu vou estar tomando partido contra a escravidão, e eu sou professora, não to aqui pra tomar partido.
Sim, Marquinho, bem lembrado. Muita gente como você afirma que teria sido um processo cruel, que envolvia muita violência, mas essa apenas é uma OPINIÃO, mesmo que compartilhada por muita gente. Enquanto você tem essa opinião, Marquinho, outros defendem, e eu sou obrigada por lei a lembrar, que foi graças à escravidão que o Brasil cresceu como nunca, então esse é um assunto polêmico no qual eu prefiro não entrar. Não vou entrar nesse mérito.
Não vou dizer o que acho, Jéssica, você não me obrigue a tomar uma posição sobre um assunto espinhoso desses. Escravidão é um assunto que divide o Brasil e eu não quero entrar nesse fla-flu.
É tudo muito controverso, igual essa coisa do ASSIM CHAMADO golpe de 64.
Pra muita gente foi revolução, Jéssica. Se foi golpe ou revolução? Se você é de esquerda foi golpe, se é de direita revolução.
Sim, teria havido tortura. Dizem. Mas se foi merecida ou não, isso não cabe a mim julgar.
Sim, há fontes que afirmam que a presidentx teria sido torturada.
Marquinho, Presidentx é a forma correta pra uma professora, porque quem gosta chama de presidenta e quem não gosta chama de presidente. E eu não posso tomar partido. Então é presidentx que sofreu um golpeachment. Assim todo o mundo fica feliz.
Eu? Não sou de direita nem de esquerda, Marquinho. Minha tarefa aqui é escrever data no quadro. Não sou paga pra ter opinião.
Não, nem sobre o nazismo, Jessica. Sim, ALGUNS historiadores afirmariam que teria acontecido um SUPOSTO Holocausto e que talvez tenha morrido muita gente, mas se eu disser que aconteceu, ou que foi ruim, eu vou estar tomando partido contra o nazismo, e eu não sou louca de fazer isso, porque se eu tomar partido eu perco meu emprego.
Não, isso não significa que eu simpatize com o nazismo, significa que eu simpatizo com meu emprego, e que eu sou professora de História, e História não é futebol. Agora todo o mundo cala a boca e abre o livro de História do Brasil. Não, o outro. O do Alexandre Frota.


Texto de Guilherme Duvivier, na Folha de São Paulo

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