quinta-feira, 27 de junho de 2013

Cresce procura por discos de vinil


Sempre houve colecionadores de discos que desdenhavam do CD, afirmando que os sulcos do LP reproduziam um calor e uma profundidade que o código digital não conseguia imitar. Mas o mercado de modo geral os ignorou. Gravadoras fecharam suas fábricas, exceto algumas que produziam principalmente música para dançar, já que o vinil continuou sendo o meio preferido dos DJs.
Essa resistência inicial não foi em vão, graças principalmente a um público de colecionadores de discos, muitos nascidos depois do lançamento do CD nos anos 1980.Hoje, pequenas e grandes gravadoras estão lançando vinis, levando a um surto de novas fábricas.
Quando a dupla eletrônica Daft Punk lançou "Random Access Memories", em maio, 6% de suas vendas na primeira semana -19 mil de 330 mil- foram em vinil, segundo a Nielsen SoundScan, que mede as vendas de música nos Estados Unidos e no Canadá.
Outros grupos com público predominantemente universitário tiveram sucessos semelhantes: na mesma semana, o National vendeu 7.000 exemplares em vinil de "Trouble Will Find Me", e 10 mil fãs do Vampire Weekend optaram pela versão em LP de "Modern Vampires of the City".
Michael Fremer, que monitora o campo na Analogplanet.com, disse: "Nenhuma dessas empresas está imprimindo discos para se sentir bem. Fazem isso porque acham que podem vender".
Thomas Bernich, da Brooklyn Phono, disse que sua empresa faz cerca de 440 mil LPs por an. Já uma gigante como a Rainbo Records, em Canoga Park, na Califórnia, produz de 6 a 7,2 milhões, segundo Steve Sheldon, seu diretor-geral.
A Quality Record Pressings, em Salina, no Kansas, abriu em 2011 depois que seu dono, Chad Kassem, ficou impaciente com a demora em uma fábrica que imprimia sua linha de reedições de blues. Hoje sua companhia faz LPs para todas as grandes gravadoras. Atualmente, ele imprime 900 mil discos em vinil por ano. "Não gastamos um dólar em publicidade, mas tivemos trabalho desde o dia em que abrimos", disse Kassem
Existe um limite para a expansão das empresas de vinil. Quando parecia inevitável que os CDs suplantariam os LPs, as empresas que faziam impressoras de vinil mudaram de maquinário. A última prensa foi feita em 1982, por isso as start-ups procuram prensas usadas (o valor médio é de US$ 25 mil) e as recondicionam.
Algumas fábricas de impressão tentaram produzir novas prensas, mas acharam o custo proibitivo -até US$ 500 mil.
David Bakula, vice-presidente sênior de desenvolvimento de clientes e visões da Nielsen SoundScan, disse que sua companhia identificou 4,6 milhões de vendas domésticas de LPs no ano passado, um aumento de 18% em relação a 2011, mas ainda só 1,4% do mercado total. Neste ano, disse Bakula, as vendas de vinis deverão atingir 5,5 milhões.
Outras medições do setor incluem números de empresas auxiliares. Heinz Lichtenegger, cuja empresa Audio Tuning, em Viena, produz o toca-discos Pro-Ject, disse que vende 8.000 peças por mês.
A Music Direct, companhia de Chicago que é dona do Mobile Fidelity Sound Lab, tem equipamentos semelhantes, incluindo toca-discos que custam entre US$ 249 e US$ 25 mil. Josh Bizar, diretor de vendas e marketing, disse que a Music Direct vendeu 500 mil LPs e "milhares de toca-discos" no ano passado.
Os compradores, diz Bizar, não são nada nostálgicos. "Temos garotos que ligam e nos dizem por que escutam vinil", disse ele. "Quando perguntamos por que não escutam CDs, dizem: 'CDs? Meu pai escuta CDs -por que eu faria isso?'"


Allan Kozinn para o The New York Times, reproduzido na Folha de São Paulo

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