E a mãe de uma amiga tá acampada em frente ao quartel: "A velha tá louca? Tá! A velha tá histérica? Tá! Mas tá comendo e bebendo de graça, então deixa a velha lá". Rarará!
Trecho da coluna do José Simão na Folha de São Paulo.
Uma colagem de textos de terceiros que eu ache interessante. Este blog sucede as cópias de texto que eram feitas em Voltas em Torno do Umbigo e em Ainda a Mosca Azul. 11/01/2011.
E a mãe de uma amiga tá acampada em frente ao quartel: "A velha tá louca? Tá! A velha tá histérica? Tá! Mas tá comendo e bebendo de graça, então deixa a velha lá". Rarará!
Trecho da coluna do José Simão na Folha de São Paulo.
Sei que a vida é muito curta para ficar falando mal de homem. Mas quem acompanha essa coluna já entendeu que não consigo evitá-lo.
Hoje não será diferente. Acredito que o levantamento a seguir seja de utilidade pública. Alguém precisa alertar as mulheres heterossexuais solteiras a respeito de novas categorias de golpes que estão rolando na praça. Ou na pista de dança.
O boy Césio 137. Homens tóxicos existem desde os tempos das cavernas. A diferença é que, hoje, as mulheres falam abertamente sobre isso. Por isso, a subcategoria dos cancelados cresce a cada dia. À noite, todos os gatos são pardos e, à primeira vista, é impossível reconhecer um cancelado na multidão. Converse com suas amigas em comum. Desperte a detetive do prédio azul que mora dentro de você. E jamais volte para casa com um cara antes de devidamente jogar o nome dele no Twitter.
O boy campeonato brasileiro, que adota aquele sistema de pontos corridos. É aquele cara que, na intenção de elogiar, diz que você ganhou pontos com ele. Legal, mas o que isso significa? O que fazer com esses pontos? São cumulativos? É uma espécie de cartão fidelidade? Você pode trocá-los por milhas?
O comprometido, pero no mucho. Um fenômeno cada vez mais comum entre as redes sociais. Se ele costuma postar fotos supostamente conceituais com pedaços de uma mulher no Instagram, desconfie. Ele namora um saci? Uma mula sem cabeça? O que ninguém sabe ninguém estraga —é o que ele alega à sua musa fragmentada.
Boy IML, aquele que só aparece quando você mostra o corpo. Usa táticas avançadas de flerte virtual, como curtir 30 fotos suas de biquíni em uma talagada só. Fico pensando se essa estratégia já funcionou em algum momento na face da Terra. Se, no futuro, uma criança perguntará a seu avô como ele conheceu a vovó, e a resposta será: respondi todas as stories dela com "linda" até ela me notar e hoje estamos fazendo bodas de ouro.
Tem ainda aquele conhecido como desconstruído de Taubaté: ele pinta as unhas e usa saia. Dá mais pinta do que uma moto com escapamento adulterado. Sabe também que todo relacionamento heteronormativo é opressor e evita assumir compromissos. Por isso, nunca manda a famigerada mensagem do dia seguinte como um ato de responsabilidade afetiva.
Texto de Manuela Cantuária, na Folha de São Paulo.
No episódio de hoje de "Plantão Médico", nossos emergencistas se veem diante de um diagnóstico até então considerado impossível pela comunidade científica.
"A paciente deu entrada no hospital com 80 de frequência e nove por seis de P.A. Em 14 anos de emergência, nunca tinha visto um caso assim. Estávamos diante de uma overdose de maconha."
"Entendemos que o primeiro procedimento a se fazer era oferecer um copo d’água para a jovem, que estava com a boca mais seca do que o coração de um aquariano. Mas ela implorava por uma Coca-Cola. Geralmente, eu não receitaria essa substância como tratamento, mas situações extremas requerem medidas extremas."
"Tentei usar meu estetoscópio para escutar o estômago da paciente, mas ela se contorcia muito, sentindo cócegas com o contato do metal geladinho em sua barriga. Acabou se provando desnecessário, pois era possível ouvir as contrações musculares do órgão até da sala de espera. Um quadro popularmente conhecido como ‘larica monstro’."
"Um Big Mac, rápido! Alguém abre o iFood. Não vai dar tempo. Tem uma padaria na esquina, que vende aquelas pizzas dormidas no balcão, com borda recheada de catupiry. Corre!"
"Acabamos optando por um coquetel de drogas pesadas: uma mistura de macarrão instantâneo com leite condensado. Uma de nossas enfermeiras passou mal durante o procedimento e precisou ser medicada com um Plasil intravenoso. Mas nossa equipe está sempre preparada para tudo, menos para desistir."
"Vamos fazer a contagem. Quantas risadas por minuto? Calma, vai ficar tudo bem, você vai sair dessa." Foi quando a paciente se convenceu de que estava morrendo, entrando no estágio que os paramédicos mais temiam, a bad trip."
"Eu preciso de um celular, agora. Procura vídeos de filhotes de cabra de suéter. Não, cachorro não serve, tem que ser algo mais potente. Tenta amizade interespécies. Um cachorro e uma cabra. Ambos de suéter. Coloca no campo de visão dela. Ufa. O batimento cardíaco está estabilizando."
"A paciente passa bem, mas o caso ainda me intriga. Infelizmente, nós médicos nem sempre temos todas as respostas. Onde a paciente teria conseguido uma maconha tão potente? E quanto custa? Será que a fonte dela entrega em casa? E aceita Pix?"
Texto de Manuela Cantuária, na Folha de São Paulo.
Uma mulher é parada em uma blitz por um policial.
“Boa noite. Algum problema?”
“Só fiscalização de rotina. Habilitação e documento do carro, por gentileza.”
“Eu não sou obrigada.”
“Na verdade, é sim. De acordo com o artigo 238, se recusar a entregar à autoridade de trânsito os documentos de habilitação, de registro e de licenciamento de veículo é considerado uma infração gravíssima.”
“Okay, mas de acordo com os princípios básicos do feminismo, enquanto mulher não preciso me submeter às ordens de um homem.”
“Eu não posso liberar a senhora sem conferir os documentos.”
“Então é você quem decide se eu sou uma mulher livre ou não? Em que século você vive?”
“A senhora não me dá alternativa a não ser inspecionar o seu veículo. Pode abrir o porta-malas.”
“Vocês homens simplesmente não entendem o significado da palavra não. Impressionante.”
“Meu Deus. Tem um corpo aqui dentro.”
“E daí? Meu corpo, minhas regras.”
“A senhora está presa em flagrante e tem o direito de ficar calada.”
“É aí que você se engana. Mesmo soFRIDA, jamais me KAHLO.”
Peço desculpas ao leitor e principalmente às leitoras desta coluna, pois nesse ponto da história fui impedida de terminar a crônica, ao ser interceptada por uma blitz feminista. As autoridades já chegaram com o pé na porta.
“Mãos longe do teclado e documento, por favor. A mana acaba de ser pega em flagrante prestando um desserviço ao movimento. Representar uma personagem se aproveitando do discurso feminista em benefício próprio é um delito considerado grave, sob pena de apreensão da carteirinha de feminista e cancelamento perpétuo pelo tribunal do Twitter.”
“Não foi minha intenção, eu juro. Só queria explorar um recurso humorístico chamado inversão. É só uma piada. Será que isso não é excesso de patrulha?”
“O Danilo Gentili usa essa desculpa o tempo todo.”
“Olha, pode até me prender, me cancelar, mas não precisa esculachar também.”
“Não testa os limites da minha sororidade, mana, apaga logo isso ou a coisa vai ficar feia para você.”
“Tá bom. A piada do ‘meu corpo, minhas regras’ foi um pouco forçada mesmo.”
“Eu ri. Mas não conta para ninguém, pelo amor da Deusa.”
Texto de Manuela Cantuária, na Folha de São Paulo.
Falta uma palavra na língua portuguesa. Quando um homem se casa com uma mulher, ele vira seu marido. Ela, no entanto, se torna sua… Mulher. Coisa que ela sempre foi. Mas agora é “sua” mulher. Eu vos declaro marido e… Falta uma palavra nova ali. Poxa, Guimarães Rosa. Inventou tanta palavra. Podia ter inventado alguma pra sua senhora, alguma que soasse melhor que “sua senhora”. Custava nada. Nonada.
Existe a palavra esposa, mas soa terrível: me recuso a ter uma esposa, até porque isso faria de mim um esposo. Um casamento começa a terminar quando as pessoas começam a se chamar de esposo. Daí começam as brigas pela toalha molhada em cima da cama, a tampa da privada e todas aquelas coisas que só mesmo dois esposos são capazes de ter.
Você começa chamando de esposa e quando vê tá chamando de patroa e, quando o telefone toca na frente dos amigos, você chama de “Dona Encrenca” —e só de pensar que posso me tornar essa pessoa, fiquei empolado, a glote fechou.
Chamar de companheira, no entanto, soa hippie demais, militante demais, esquerdomacho demais. “Deixa eu te apresentar minha companheira…” Não dá. Imediatamente brotam flores imaginárias na minha barba, e minha bermuda se converte em sarongue.
A palavra cônjuge, no entanto, está fora de cogitação. “Deixa eu te apresentar minha cônjuge.” Pobre senhora. Foi reduzida a uma categoria jurídica. A cônjuge está pra mulher como o pênis está pro pinto: é sua versão técnica. Erradica-se qualquer chance de erotismo. Não que a palavra marido seja sexy, como também pinto não é, mas cônjuge está no topo da lista das palavras mais feias da língua, ao lado de fronha e de íngua. Além disso, é “inrimável” e impronunciável, como bem provou o Moro, cuja única contribuição pro país foi a criação da palavra “conge”, muito mais simpática que a original. Mas não dá pra usar: a palavra vem junto da voz de marreco, da boca de CD player. Moro ressuscitou o conge, mas só mesmo pra terminar de matar de vez.
A palavra consorte parece que a sujeita ganhou na loteria, quando tudo o que ela ganhou foi um companheiro de fronha, examinador de ínguas.
Talvez o segredo seja chamar pelo nome, evitando evocar o estado civil. Na pandemia, tem dado certo. Em algum momento, imagino que a gente volte a conhecer pessoas novas. Nesse momento, alguém talvez pergunte: “Ela é sua... ?”. Até lá, torço pra que tenham inventado uma palavra nova. Marida? Tudo menos isso.
Texto de Gregorio Duvivier, na Folha de São Paulo.
Dizem que Tales de Mileto estava um dia tão embrenhado a olhar para o céu, observando as estrelas, que acabou por cair num poço. Platão acrescenta que uma bela e espirituosa criada da Trácia riu dele e o fez notar que a sua ambição de conhecer as coisas do céu o impediu de ver as coisas que tinha mesmo debaixo do nariz.
Não sei em que medida é que o fato de a moça ser bela, espirituosa e criada oriunda da Trácia acrescenta peso à humilhação de Tales, mas Platão achou importante que tivéssemos essas informações. Talvez seja mais humilhante fazer figura de bobo à frente de pessoas belas. Pode ser isso.
Costuma dizer-se que, quando o sábio aponta para a Lua, o louco olha para o dedo. O que me interessa é que o autor dessa observação olhou para todo o lado: para o sábio, para a Lua, para o louco e para o dedo. O que quer dizer que olhou através dos seus olhos (porque viu o sábio e o louco), e olhou através dos olhos do sábio e através dos olhos do louco (porque também viu a Lua, como o primeiro, e também viu o dedo, como o segundo). Na história de Platão, Tales só viu as estrelas. A criada viu Tales, as estrelas e o poço. Ela era uma filósofa melhor.
Heidegger recupera essa história no seu livro "O que É Uma Coisa?", cujo título dá vontade de rir, pelo menos até a gente começar a ler, altura em que toda a alegria nos abandona.
O livro é uma investigação sobre a substância das coisas, a nossa relação com elas, e o modo como a nossa relação com elas pode influenciar a sua substância. Ou seja, é chato (eu sou um leitor de filosofia muito sofisticado).
Mas todas aquelas reflexões sobre as coisas fizeram-me lembrar aquela expressão que os falantes de português usam: coisíssima nenhuma. E afastei-me um pouco do pensamento de Heidegger para me maravilhar com a improbabilidade dessa expressão.
Como assim, coisíssima? Coisa é um substantivo. Quem teve a ideia de o superlativar? E então concluí que qualquer filósofo pode dedicar-se a pensar as coisas. Mas só os filósofos de língua portuguesa podem ser bem-sucedidos na difícil, quase impossível tarefa de pensar em coisíssima nenhuma.
Texto de Ricardo Araújo Pereira, na Folha de São Paulo.
J. foi o primeiro antropólogo a traduzir os fundamentais cânticos fúnebres da língua Baruna. Num debate entre J. e o pajé Wa’am’biipi, parte da comemoração pela demarcação das terras Baruna —vitória para a qual os trabalhos e o ativismo do antropólogo não podem ser desconsiderados—, alguém gritou da plateia: “usurpador!”. Tratava-se de M., membro da bancada ativista de São Joaquim D´Oeste. Segundo M., receber os louros pela tradução de uma obra indígena e comemorar a demarcação ao lado do pajé fazia de J. a versão intelectual dos Pizarros, dos Cortéses, dos Pedro Álvares Cabrais, um “neoextrativista dos bens culturais ameríndios”.
Em alguns meses, a campanha “antitradução”, corrente segundo a qual apenas um membro de sua própria etnia, aprendendo uma língua alheia, poderia verter para ela seu idioma, levou J. de herói a facínora. J. foi afastado da faculdade. Seus artigos encomendados por publicações acadêmicas foram cancelados.
Com o caso J., M. acabou ficando bombadinho nas redes e foi filmado numa praça batendo boca com a namorada. Surgiu então uma campanha barulhenta exigindo a expulsão de M. da bancada ativista de São Joaquim D´Oeste, pois tratava-se de um “machistx em pelx dx cordeirx”. “Trata as mulheres com a mesma opressão colonialista que finge combater! Lixo humano!”.
M. e a namorada, com quem tinha feito as pazes na mesma tarde, na mesma praça, acharam que seria uma boa estratégia divulgar a foto dos dois num sex-shop, segurando uma cinta peniana, com a qual, revelariam, ela costumava penetrá-lo. Provariam, assim, o quanto M. estava, “através da desdomesticação heteronormativa colo-colonial”, engajado “na subversão dos afetos patriarcais”.
O brinquedo erótico, porém, tinha tiras de couro e suscitou a ira de ativistas veganos, que lançaram nas redes montagens de imagens do casal sobrepostas a de bois ensanguentados em matadouros, trespassados por enormes cintas penianas. Uma semana depois, toda a bancada ativista de São Joaquim D´oeste renunciou ao mandato —dando mais espaço, aliás, para a vereança ruralista, dona dos abatedouros.
Nas redes, os ruralistas chamaram M. de homossexual. M. disse que, se fosse, seria feliz, pois na Grécia clássica e em Roma, por exemplo, relações sexuais entre homens não eram nenhuma vergonha, eram motivo de orgulho.
M. certamente não estava à par das últimas polêmicas sobre o período clássico. Como era comum, àquela época, homens feitos terem relações sexuais com mancebos, Sócrates, Platão, Aristóteles, Ésquilo, Sófocles, Aristófanes e companhia não passavam de pedófilos, abusando de menores “no gozo perverso do privilégio gerontocrático”. Gregos e latinos foram cancelados.
Há quem diga que as únicas obras dignas de mérito em toda a história do pensamento são os livros da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie. Uma tendência mais recente, contudo, contesta Chimamanda ferozmente, por ter se mudado para os Estados Unidos e escrever em inglês, não em uma das 510 línguas atualmente faladas no país africano. “Feminista e antirracista sendo filha de professor universitário e ganhando em dólar, é fácil”, escreveu um membro do movimento #fuckfakeafrican —em seu iPhone, nos Jardins. “Mas e as mulheres que ficaram na Nigéria? As que não têm o auxílio imperialista de uma Chimamanda? O palanque etnocêntrico de um J.? O privilégio machista e especista de um M.? Todo o lobby branco dos gregos e latinos? Quem as lê? Quem as enxerga, sequer?”.
A. escrevia na Folha de S.Paulo, até que.
Texto de Antonio Prata, na Folha de São Paulo.
Depois dos sucessos de “S.O.S., Tem um Louco Solto em Brasília”, “Um Presidente e Três Bebês”, “Dia da Mamata” e “Corra que a Milícia Vem Aí”, o trapalhão Jair Bolsonaro apronta para valer em mais uma aventura que é a maior confusão.
Ele era um fracassado capitão do Exército que tentava explodir quartéis com bombas, até que resolveu se candidatar a presidente. O que ninguém imaginava é que esse maluco ganharia as eleições, levando toda a sua família para viver a maior boiada.
Com uma turma do barulho e para lá de incompetente, ele passou a atear fogo nas florestas e levar o país inteiro para um atoleiro atrás do outro.
Nessa nova aventura, esse presidente abobalhado desembarca em Nova York para levar todo mundo à loucura. Prepare-se para muita encrenca. Você vai rir sem parar, mas de nervoso.
Em plena pandemia, esse líder malucão vai parar na ONU sem tomar vacina, fazendo todo mundo passar apuros. Vai ter álcool em gel para todo o lado.
Em um encontro explosivo, o presidente se reúne com o tresloucado primeiro-ministro do Reino Unido. Ao lado de Bolsonaro, até o britânico é sensato.
Junto com sua trupe, esse presidente nada imunizado come pizza na calçada e faz todo mundo passar um constrangimento atrás do outro. Até pizza fica ruim com essa galera que só pensa em afundar o país.
Você não perde por esperar esse presidente trambiqueiro discursando para a ONU e virando chacota mundial. É uma mentira atrás da outra.
O que o presidente não imaginava é que seus inimigos estão até em Nova York e ele encara protestos por todos os lados. Por sorte, tem como capacho um ministro da Saúde descontrolado, que mostra o dedo do meio para a galera. Mas quem toma é o brasileiro.
Não perca na "Sessão da Tarde" essa comédia que vai fazer toda a família rir. Mas só a do presidente. Já a sua vai chorar.
Depois dessa aventura, vem aí “Um Golpe Muito Louco”, quando esse presidente para lá de insano se junta a idosos fascistas para tentar tomar o poder. Logo após o "Vídeo Show".
Texto de Flavia Boggio, na Folha de São Paulo.
Infelizmente, ainda vivemos em uma sociedade na qual muitas mulheres desejam uma vida mais sustentável, mas têm dificuldade de descartar o boy lixo. Se você não sabe como se livrar do seu entulho, não se preocupe. Ligue agora e solicite uma coleta não seletiva.
Primeiro, nossas catadoras farão uma triagem para avaliar a toxicidade do material, já que nem todo lixo é reciclável. Se for detectada a presença de radioatividade, significa que estaremos lidando com um tchernoboy, que basicamente é a versão gremlin molhado do boy lixo e um problema que não se resolve nem se ele for enterrado.
Nesse caso, o risco de contaminação é muito grande e não queremos expor nossas funcionárias, mas podemos indicar empresas parceiras especializadas que possuem todo o aparato para isolá-los, oferecendo menores danos ao nosso planeta.
Também não trabalhamos com resíduos com signo de aquário ou gêmeos em sua composição, pois o procedimento é complexo, pouco rentável, e o resultado consegue ser mais feio do que aqueles artesanatos feitos de cápsula de Nespresso por uma criança de cinco anos.
Nesse caso, recomendamos um ritual de mudança de signo no interior de São Paulo, que inclui a ingestão de três garrafas PET cheias de ayahuasca enquanto besuntado em mel e amarrado em uma árvore na mata fechada por três dias.
Depois disso, é só entrar em contato conosco com o novo mapa astral em mãos.
Quando há a possibilidade de reaproveitamento, seu descarte será imediatamente transportado para nossa usina de reciclagem, onde dispomos da tecnologia avançada necessária para desconstruir uma matéria-prima solidificada por um sistema patriarcal. Nossa empresa sabe que mudar um boy lixo não é uma tarefa fácil. Muitas mulheres, se não a maioria, se não absolutamente todas, tentaram e falharam. Mas nós aceitamos o desafio.
O primeiro passo é separar o excesso de autoestima, um componente extremamente nocivo aos seres humanos. O procedimento consiste em várias etapas que incluem terapia, trabalhos domésticos forçados, mais terapia, hipnose, entre outros.
O objetivo é que, ao fim desse longo processo, eles possam oferecer alguma utilidade à sociedade, sendo transformados em pesos de papel, duendes de jardim, roupinhas de crochê para filtros de barro, lanternas com alarme e boias de flamingo.
Não perca mais seu tempo e seu colágeno, contrate nossos serviços agora e ganhe de brinde uma caneca personalizada, também feita de material reciclável (no caso, meu ex-marido). Sua falta de critério é o nosso negócio.
Texto de Manuela Cantuária, na Folha de São Paulo.
No confessionário dividido por uma parede de acrílico, a penitente sussurra seus pecados pandêmicos, abafados por uma N95: Peço perdão, pois aglomerei. Como é estranho ser sujeito desse verbo que até 2020 não precisava conjugar, porque ninguém chamava as aglomerações de aglomerações, e sim de muvucas, fervos etc. Fora o paradoxo de se aglomerar na primeira pessoa do singular, já que é impossível aglomerar sozinho.
Pois bem, foram quase dois anos ricocheteando nas paredes do apartamento, debruçada em janelas virtuais, testemunhando o negacionismo que lotava bares e UTIs. Aos sábados, era possível ouvir aquele monstro com mil vozes e nenhum coração, ecoando variantes inéditas nas esquinas do bairro.
Até que, certa noite, duas doses de Coronavac depois, um ou oito drinques a mais, fui engolida pelo monstro e mastigada pela culpa usando a máscara no queixo. O céu aberto me confortava, mesmo prestes a desabar. Uma euforia adolescente, a pulsão de morte e a pulsão de vida dançando de rostinho colado. E uma ressaca que só um PCR daria jeito.
Peço perdão, pois me alienei. Perdi a conta dos mortos, das variantes, das taxas de eficácia de cada vacina, dos crimes de responsabilidade cometidos pelo presidente, dos valores repassados pela rachadinha, dos hectares desmatados na Amazônia, das taxas de inflação, da capacidade dos reservatórios das hidrelétricas.
Nunca pensei que me alienaria justo no momento em que a desinformação se provou tão letal, mas a realidade estava me enlouquecendo.
Agora, de que adianta um mecanismo de defesa individual que nos torna vulneráveis enquanto coletivo? Eu não sei responder a essa e a outras perguntas, pois estou mal informada, me esgueirando entre pilhas de jornais e newsletters não lidos, escondida na trincheira em meio à guerra da informação, acovardada pelas bombas que não param de explodir.
Peço perdão, pois fingi que estava tudo bem quando tudo ia mal. Peço perdão, pois abracei pessoas que amo. Peço perdão, pois não abri mão da presença da diarista quando o lockdown era imprescindível. Peço perdão, pois viajei para o litoral no Réveillon, surfando a segunda onda. Peço perdão, pois cobrei demais dos outros. Peço perdão, pois não cobrei o suficiente de quem deveria. Peço perdão, pois me cobrei demais. Peço perdão, pois me cobrei de menos.
Texto de Manuela Cantuária, na Folha de São Paulo.
“Acordada a essa hora, filha?”
“Eu preciso estudar, o vestibular é na semana que vem.”
“Sabia que você estava perdendo seu tempo com bobagem. Por que você não abre um pouco o Tik Tok? Lá tem bastante conteúdo. Desafios, dancinhas, dublagens. Muita gente da sua idade viralizando... Ou você quer acabar como o seu irmão?”
“Ele é CEO de multinacional.”
“Quantas vezes eu vou ter que te lembrar que o seu irmão teve uma adolescência superproblemática? O garoto nunca postou uma trollagem, nunca hitou com um tuíte, os perfis eram mais parados do que obra da prefeitura. Nessa idade, vocês só têm uma obrigação: passar vergonha na internet. Eu dou celular de última geração, pago o melhor pacote de dados, e é isso que eu recebo?”
“Deixa ele, mãe.”
“Eu não sei onde eu errei com vocês. Tanta gente fazendo uma grana forte jogando online, vendendo pack do pezinho. E logo você, uma menina tão comunicativa, tão câmera-friendly, que tinha tudo pra ser uma influenciadora digital, desperdiçando todo seu talento estudando. Vestibular não garante futuro para ninguém. Não dá para viver mais de carteira assinada no Brasil. O negócio agora é engajamento, permuta, recebidinhos.”
"A Julia também estuda e você adora ela.”
“Você lava a boca pra falar da Julia que ela tem a sua idade e já foi cancelada três vezes. E isso foi desculpa para ela deixar de gerar conteúdo? Nada disso. Só hoje ela já postou pelo menos uns cinco vídeos e uma belfie.”
“Belfie?”
“Você não sabe o que é belfie? Que absurdo. É uma selfie da bunda. Coisa mais fácil de fazer, só virar de costas para um espelho e usar a câmera frontal. Vai te deixar até mais animada, a recompensa imediata de curtidas produz dopamina, sabia? Dizem que vicia, mas é melhor do que essa pressão por desempenho nos estudos, isso não faz bem para sua saúde mental. “
“Preciso terminar meu simulado, depois a gente conversa.”
“OK, mas amanhã sem falta vou agendar uma sessão pra você.”
“De terapia?”
“Se você quiser ficar uma hora por semana falando sobre seus traumas mais íntimos, melhor criar um podcast. Eu vou agendar uma sessão com um tatuador que eu conheci pelo Instagram. Já passou da hora de você ter uma tatuagem na cara, que nem o Whindersson Nunes. Vai ser ótimo para sua carreira.”
Texto de Manuela Cantuária, na Folha de São Paulo.
Mesmo tendo em conta a Sua onisciência, é duvidoso que, há cerca de 2.000 anos, o Messias soubesse que estava a dirigir-se a outro Messias.
Seja como for, o conselho de Jesus, apesar de antigo, não tem sido seguido. Disse Ele: “Por que vês o argueiro no olho de teu irmão, porém não reparas na trave que tens no teu? Ou como poderás dizer a teu irmão: ‘Deixa-me tirar o argueiro do teu olho, quando tens a trave no teu?’”. Ficamos a saber que, para o filho de Deus, um dos problemas deste mundo é que as pessoas lastimem, nos outros, exatamente os mesmos defeitos que têm.
Pois bem, concedo que possa ser problemático, mas é muito engraçado —pormenor que parece ter escapado a Deus.
Se Ronaldinho Gaúcho se exasperar com os boêmios, em princípio a gente ri. Se Elton John lamentar que as pessoas não sejam mais sóbrias a vestir-se, também tem graça.
Por isso, sempre que Bolsonaro acusa alguém de ser idiota, é difícil suster o riso.
Há uns tempos, Bolsonaro já tinha chamado idiotas a estudantes que se manifestavam contra cortes na educação. Pouco depois, disse que talvez tivesse exagerado.
Não concordo. Se, quando Bolsonaro chama idiota a alguém, estamos perante aquele fenômeno que a psicologia designa por projeção, então ele nunca, mas nunca, exagera.
Os especialistas discordaram, mas já vem sendo um hábito (e é, aliás, um fenômeno fascinante que a pandemia ajudou a compreender) que quem entende de saúde pública discorde de quem não entende de saúde pública.
O mais surpreendente foi o seguinte: as declarações de Bolsonaro foram criticadas mesmo pelos empresários que pediam a reabertura das atividades. Não é qualquer idiota que reúne um consenso tão vasto. Isso só está ao alcance de um extraordinário idiota.
É possível que sejamos todos idiotas. Se uns idiotas não organizam um processo rápido de vacinação, outros idiotas têm de ficar em casa. É um círculo vicioso de idiotia contra o qual, infelizmente, não há vacina. Resta-nos o consolo de pensar que, se houvesse, o governo seria incompetente a adquiri-la e a administrá-la. Não perdemos nada.
Texto de Ricardo Araújo Pereira, na Folha de São Paulo.
Preciso escrever uma crônica. Toda semana agora é isso. Veja bem, o problema não é a demanda. O problema é o Brasil. Sinto que a inspiração, farta desse pesadelo, me abandonou no acostamento e saiu cantando pneu.
Não sei exatamente onde as boas ideias foram parar, mas estou decidida a reencontrá-las.
Por isso convido você, querido leitor, a um passeio dentro da cabeça de uma cidadã brasileira desprovida de anticorpos contra a Covid-19 no ano de 2021.
Funciona como o quadro Porta dos Desesperados, apresentado por Sérgio Mallandro em seu programa de TV nos anos de 1990. Você escolhe uma porta e abre, sem saber o que irá encontrar.
A primeira porta chamaremos de Festival de Gatilhos. Sou atropelada por um bloco de Carnaval em um dia de chuva, sinto o cheiro de milho verde em uma festa junina de bairro, uma bolinha de frescobol me atinge em cheio na praia do Leme. Me abraçam até minhas costelas estalarem, ai, alguém pisa no meu pé e eu peço desculpas.
A princípio, tudo parece muito agradável, mas viver de lembranças tem um quê de tortura.
Eu não sabia o que era tortura até adentrar a segunda porta, que nos leva à Masmorra do Bolsonarismo.
Aqui, a palavra de ordem —se é que podemos falar em ordem— é morte. Quase meio milhão de mortos.
A maior chacina da história do Rio de Janeiro. Um decreto que facilita o acesso da população às armas.
A CPI da Covid jogando sal na ferida aberta, recapitulando cada passo em direção ao abismo de um chefe de Estado que arrastou consigo uma nação inteira. Chega.
Terceira porta, que seja. Museu de Paranoias. Um vasto acervo de neuroses acumulado ao longo de um ano inteiro trancada, sozinha, em um apartamento. A maioria delas, uma variação do mesmo tema.
Temperei mal a comida ou estou com Covid? Me apaixonei pela pessoa errada ou estou com Covid? Bloqueio criativo ou Covid? Ou os dois?
A quarta porta, por sua vez, é um caminho sem volta para a Suruba do Eu Sozinho. Um lugar bem visitado por quem atravessa essa pandemia em estado de solteirice aguda. As fantasias mais improváveis com aquele vizinho que lembra o Tiago Leifert e outros cenários impublicáveis, dignos de um delírio febril de Pier Paolo Pasolini.
Não sei o que está atrás da quinta porta, mas suspeito que não será minha inspiração. Prometo a você, querido leitor, que seguirei atrás dela. Semana que vem tem mais.
Texto de Manuela Cantuária, na Folha de São Paulo.
Dois homens se reúnem na sede da Central dos Amigos Conservadores e Aliados, a C.A.C.A.
“Chefe, está tudo certo para o nosso Grande Encontro dos Conservadores do Brasil.”
“Ótimo. Não vejo a hora de reunir todos os conservadores para debater a tradição, os bons costumes e a liberdade.”
“Só temos um problema, senhor.”
“Não vai me dizer que estamos em pandemia, que não devemos aglomerar, blábláblá... Não podemos ter medo desse vírus comunista.”
“Jamais, senhor. Mas não é isso... É sobre a lista de convidados.”
“Faltou alguém? Onde cabem 500, cabem mil.”
“Pelo contrário. Precisamos cortar alguns nomes. Estou vendo aqui que o senhor planeja convidar o filósofo Luiz Felipe Pondé.”
“Sim, queremos ele na mesa: ‘Homens conservadores transam, sim’.”
“Sinto dizer, senhor, mas o Pondé acabou de escrever uma coluna na Foice de São Paulo dizendo que, entre o nosso presidente e o Lula, ele votaria no... Lula.”
“Não acredito que o Pondé, grande filósofo da direita, virou comunista?”
“E dizem que agora está transando muito mais.”
“Então coloca o Constantino na mesa.”
“Não creio que Constantino transe. Também teremos que tirar o Diogo Mainardi da lista de convidados.”
“Que que tem o Diogão? Ele sempre foi o nosso grande aliado, com o Antagonista.”
“Mas o Manhattan Connection acabou de ir para TV Cultura. E a TV Cultura é do governo de São Paulo, que é João Doria. Ou seja, comunista.””
“Tá, pode tirar o Mainardi.”
“O senhor também precisa alterar o set list da pista de dança. Aqui diz que vai tocar Britney Spears.”
“Sim. ‘Ooops, I Did It Again’ é minha música.”
“É que, com a pandemia, ela começou a defender redistribuição de renda e greve trabalhista. Ou seja, comunista.”
“Os comunistas levaram até a Britney?”
“Levaram a Anitta também, que chamou nosso presidente de ‘Bolsocaro’.”
“Por Deus, não dá mais para ser conservador e descer até o chão?”
“Dá. Mas só ao som de Ultraje a Rigor.”
“Cancela o encontro, então.”
Texto de Flavia Boggio, na Folha de São Paulo.
“Multipliquei os pães e os peixes e dei aos famintos”, disse Jesus. Vai pra Cuba! Tem que ensinar a pescar! Rarará!
Trechinho da coluna de José Simão, na Folha de São Paulo.
Nada do que vou relatar a seguir é ficção. Bolsonaro, desde a mais tenra idade, odeia o Exército. Seu sonho era ser jogador de futebol.
Foi seu pai que o obrigou a entrar no quartel. Lá, foi humilhado: um coronel reprovou a “falta de lógica, racionalidade e equilíbrio”, e outro condenou a “excessiva ambição em realizar-se financeiramente”.
Humilhado, tentou explodir quartéis. Seu plano foi descoberto pela imprensa. Condenado à reserva, ficou tarde pra tentar o futebol. Sobrou a política. Melhor assim.
O tempo livre permitiria que ele arquitetasse a vingança. Dedicaria a vida a demolir a instituição que moeu sua juventude e lhe roubou todos os sonhos. O povo precisava saber a verdade sobre o alto escalão do Exército brasileiro.
Quando Bolsonaro chegou à Presidência, os generais ainda gozavam de alguma popularidade —devido sobretudo à memória curta do povo brasileiro.
Palestravam na GloboNews como se não tivessem falido o país 30 anos antes. O novo presidente, no entanto, tinha um plano em mente: dar a eles cargo de confiança. Colocá-los em posições estratégicas. Distribuir ministérios e microfones. O resto, eles fariam sozinhos.
Dito e feito. O general Pazuello fez, de livre e espontânea vontade, um estrago maior para a imagem do Exército do que a esquerda em décadas de propaganda antimilitar.
Bolsonaro realizou o sonho de todo brasileiro: desmascarou a incompetência dos chefes em rede nacional.
Esta semana, um general no comando da Petrobras, mudo, fez ela perder mais de R$ 100 bilhões em valor de mercado.
Bolsonaro fez com os generais a mesma coisa que Boninho fez com Karol Conká: cercou de câmeras e deixou o povo concluir sozinho.
A esquerda precisa reconhecer nele um aliado. O presidente está fazendo o que Lamarca não conseguiu. Destruiu qualquer chance de os militares voltarem ao poder no país. Sobretudo porque não haverá mais país depois dele.
Resta saber como é que um sujeito limítrofe conceberia um plano tão brilhante. Fácil: o plano pode não ter sido dele.
Ainda adolescente, Bolsonaro diz que ajudou os militares a encontrarem Lamarca. Aqui, e só aqui, entra uma especulação. O guerrilheiro, encurralado na floresta, encontrou o jovem Jair e lhe fez um pedido: “Jovem, falhei. Pode me entregar. Mas tenho um plano pra você. Será preciso paciência.”
Crônica de Gregório Duvivier, na Folha de São Paulo.
"Bom dia e sejam todos bem-vindos ao nosso grupo de apoio aos problematizadores anônimos. O meu nome é..."
"Desculpa interromper, mas, você disse... bom dia ou...?"
"Algum problema?"
"Só acho um pouco insensível da sua parte utilizar um adjetivo de conformidade em um momento tão delicado, nem todo mundo está tendo um dia bom. Ignorar o contexto no qual estamos inseridos, reféns da omissão criminosa do governo no meio de uma pandemia, é perpetuar o discurso da positividade tóxica que acaba prejudicando ainda mais a saúde mental das pessoas."
"Qual o seu nome?"
"Jéssica."
"Pessoal, a Jéssica está há oito segundos sem problematizar e isso já é um grande avanço. Parabéns."
"Qual é o problema de problematizar?"
"A problematização é fundamental para combater estruturas de opressão, violência, e silenciamento, mas..."
"Mas? Como assim mas? Só falta você dizer que o mundo está chato."
"Não é o mundo que está chato. Você abriu o Twitter? Tem acompanhado esse BBB?"
"Olha, eu sou a favor da problematização. Mas problematizar a problematização em si, aí já é demais."
"Então você está problematizando a problematização da problematização. Entende onde está o problema?"
"Não."
"Exato. O problema é quando a problematização sai do controle e nada mais faz sentido. A nossa conversa é um exemplo disso."
"Acho problemático partir da nossa experiência pessoal para abordar uma questão que diz respeito à sociedade como um todo."
"Jéssica, eu era assim, como você. Entrava em uma problematização sem fazer a menor ideia de como, e quando, sairia dela. Perdi amigos, oportunidades de trabalho, até meu autocontrole."
"A culpa não é minha, o Brasil me obriga a problematizar."
"Eu sei. Por isso criei esse grupo de apoio. É um momento crítico para pessoas como nós. Todas as vezes em que o Bolsonaro abre a boca, os amigos que postam fotos em festas como se tivessem furado a fila da vacina, e agora, como se não bastasse, o BBB. A gente se sente como um diabético na loja de doces."
"Essa comparação, além de desrespeitosa com quem sofre de diabetes, reforça o estereótipo de que o diabético não pode comer doces, quando basta seguir uma dieta balanceada com supervisão de um nutricionista."
"OK, desisto. Quem vocês acham que sai no paredão?"
Texto de Manuela Cantuária, na Folha de São Paulo.