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domingo, 28 de março de 2021

Jogadores do Maracanazo, como Barbosa, não são festejados ao completarem um século


O lateral direito Augusto completaria 100 anos em outubro passado e a data passou em branco.

O zagueiro Danilo também, em dezembro de 2020.

Assim como Jair Rosa Pinto, lembrado, é verdade, aqui e ali no último domingo (21), provavelmente mais pelos caçadores de efemérides em tempos de pandemia.

Neste sábado (27) Barbosa faria 100 anos.

Em setembro que vem será a vez de Zizinho, o Mestre Ziza, ídolo do Rei Pelé, dia 14.

Em 2022, Bigode, Ademir de Menezes, o Queixada e Chico.

Juvenal fica para 2023 e Bauer só em 2025. Entre um e outro, em 2024, Friaça, o autor do solitário gol brasileiro, o do 1 a 0 no fatídico 2 a 1 para o Uruguai.

De todos os brasileiros participantes da final da Copa do Mundo de 1950 no Maracanã com lendários 200 mil torcedores, o goleiro negro Barbosa é o protagonista mais dramático, bode expiatório da derrota dolorosa.

Moacyr Barbosa Nascimento morreu culpado irremediavelmente em 2000, condenado à prisão perpétua como lamentava nos últimos anos de vida.

Não por coincidência, a culpa é até hoje dividida com outro negro, o lateral esquerdo Bigode, acusado de covardia por não ter reagido à suposta bofetada no rosto desferido pelo capitão uruguaio Obdulio Varela, e em cima de quem Gigghia fez o gol da virada.

Obdulio, também negro, negou a agressão até morrer e para sempre é tido como o grande herói daquela Copa, pelos brasileiros inclusive, como se os negros uruguaios valessem mais que os nacionais.

A injustiça com Bigode, no entanto, não produziu restrição aos laterais pretos, diferentemente do que se deu em relação aos goleiros, a ponto de a seleção brasileira só voltar a ter um como titular em 2006, na Alemanha, 56 anos depois do Maracanazo.

Nunca ninguém admitiu o preconceito, nem precisava.

O centenário de Barbosa não é comemorado. No máximo, é lembrado como desagravo, tardio, sem o testemunho dele, cuja entrada na concentração da seleção, em 1993, antes do jogo contra o mesmo Uruguai que definiu a classificação para a Copa nos Estados Unidos, teria sido negada (há quem desminta) para não dar azar.

Tivesse mesmo tomado o tapa, Bigode, caso o Brasil saísse vencedor, seria elogiado pela maturidade, pelo sangue frio, por não ter caído na provocação e desfalcado o time.

Também entre o 2 a 1, marcado aos 34 minutos do segundo tempo, e o fim do jogo, houve tempo suficiente para o empate que significaria o título.

Não importa: a culpa é de Barbosa, pela falha no gol.

No dia 1º de janeiro de 2046, Roberto Rivellino, um dos heróis do tricampeonato em 1970, completará 100 anos e será devidamente festejado.

Apesar de, em 1974, ter sido responsabilizado injustamente pela derrota do Corinthians contra o Palmeiras, na decisão estadual que acabaria com o jejum de 20 anos sem títulos.

Três dias antes, no primeiro jogo das finais, empate em 1 a 1, ele recebeu milhões de elogios por ter jogado para o time, sem um pingo de estrelismo.

Pois repetiu sem tirar nem por a atuação no jogo definitivo, derrota alvinegra por 1 a 0.

O mundo caiu sobre sua cabeça, tronco e membros e, por exigência da torcida, o melhor jogador da história corintiana acabou vendido para o Fluminense.

Melhor prova impossível de que a voz do povo nem sempre é divina.

Melhor prova, não! A melhor segue sendo a da injustiça cometida com Barbosa.


Texto de Juca Kfouri, na Folha de São Paulo

quarta-feira, 21 de outubro de 2020

Pelé possuía virtudes que Messi e Cristiano Ronaldo nunca tiveram

 Na sexta (23), Pelé completa 80 anos. Nelson Rodrigues, com seu delicioso exagero, dizia que a maior qualidade de Pelé era a “imodéstia absoluta”, a certeza de ser muito superior a todos. Nelson dizia ainda que a bola o procurava, com a humildade de uma cadelinha.


Pelé sabia que era o melhor, mas também que precisava dos companheiros para brilhar intensamente. Escutava também opiniões. Contra a Inglaterra, no Mundial de 1970, ele estava muito marcado. Cheguei até ele e falei: “Por que você não muda de lado”? Ele me olhou e, com seus olhos vivos, me perguntou: “Você acha”? Afirmei que sim. Ele foi para a esquerda, e atuou melhor.

Nós todos, coadjuvantes, precisávamos ajudá-lo, pois sabíamos que, quanto mais ele se destacasse, seria ótimo para a equipe e melhoraria a atuação de todos. Isso é jogo coletivo. Um necessita do outro. O restante é conversa fiada.

Conheci Pelé, fora dos gramados, quando começaram os treinamentos para o vexame da Copa de 1966, quando o Brasil foi eliminado na primeira fase. A apresentação foi em Lambari, no interior de Minas Gerais, seguida por dezenas de outras cidades por todo o Brasil. Foi uma estratégia da ditadura para agradar políticos e governantes.

Em Caxambu, outra cidade mineira, houve um jogo-treino contra o Cruzeiro. Meu pai foi de ônibus, com a delegação do time mineiro. Foi me ver e queria conhecer Pelé. Apresentei-o ao Rei, que deu um longo abraço em meu pai, que, emocionado, chorou. Não é todo dia que um súdito conhece o rei.

Vivi, ao lado de Pelé, dois momentos emocionantes, um triste e outro alegre. O triste, no dia seguinte à eliminação da Copa de 1966, na volta da seleção, de trem, ao seu lado, de Liverpool, onde a seleção ficou concentrada, para Londres, onde pegaríamos o avião para o Brasil. Estávamos todos muito tristes. Um grande silêncio. Pelé parecia que queria me dizer: “Daqui a quatro anos será diferente”.

O outro momento, alegre, foi logo após o fim do jogo contra a Itália, em 1970. Pelé, além de conquistar mais um grande título, estava eufórico, porque tudo tinha dado certo. O Brasil venceu, deu show, e Pelé, que, antes do Mundial, começava a ser criticado porque estaria em decadência, mostrou, para sempre, que era o maior de todos os tempos.

Antes de a bola chegar, Pelé me olhava como se quisesse me dizer tudo o que iria fazer. E fazia. Eu tentava acompanhá-lo, ajudá-lo. A comunicação analógica, pelo olhar, pelos movimentos do corpo, é menos precisa que a digital, porém riquíssima. O corpo não mente.

José Miguel Wisnik, em seu excepcional livro “Veneno Remédio: o futebol e o Brasil”, escreveu: “Pelé parece funcionar em uma frequência diferente da dos demais jogadores, como se ele tivesse mais tempo para pensar e ver o que se passa, assistindo, em câmera lenta, ao mesmo jogo do qual está participando, em altíssima velocidade, enquanto os outros, em torno dele, parecem estar assistindo ao jogo em altíssima velocidade e jogando em câmera lenta”.

Pelé tinha, no mais alto nível, todas as qualidades técnicas, físicas e emocionais para ser um superatacante. Por isso, era o melhor. Diante das dificuldades, se tornava possesso, uma fera cutucada e enjaulada. Messi não tem as virtudes físicas e emocionais de Pelé, e Cristiano Ronaldo não possui a fantasia, a inventividade, e não dá tantos passes decisivos quanto o Rei. A perfeição existe? Seria Pelé perfeito?


Na crônica de Tostão, a celebração dos 80 anos de Pelé, publicada na Folha de São Paulo

quinta-feira, 30 de agosto de 2018

Mortes: Atacante do Inter, conhecido por frase que nunca disse

Um dos maiores atacantes da história do Internacional, Claudiomiro entrou para o folclore do futebol por uma frase que não disse.

"É uma alegria jogar em Belém, a cidade em que nasceu Jesus", teria afirmado antes de partida na capital do Pará.
É imagem injusta para o atacante seis vezes campeão gaúcho (entre 1969 e 1974) e o terceiro maior artilheiro da história do Inter, com 210 gols.
Destacou-se apesar de passar a carreira brigando contra os zagueiros e a balança. Foi por causa do excesso de peso que deixou o time do Rio Grande do Sul em 1974. Os 90 kg espalhados em 1,76 m eram demais para fazê-lo levar vantagem sobre os rivais. Acabou dispensado pelo Botafogo. 
Sua condição física atarracada o fez ser apelidado de "bigorna". Enquanto conseguiu se manter longe dos churrascos e das cervejas, duas de suas paixões, conseguiu se destacar. Chegou à seleção.
Em tentativa desesperada de perder peso, entrou em dieta rigorosa e ficou magro como nunca na carreira.
Mas reclamava que não tinha força no chute, sua principal característica. Voltou aos velhos hábitos e ganhou peso.
Aos 16 anos, Claudiomiro Estrais Ferreira estreou como profissional no Inter. Aos 18 fez o primeiro gol da história do estádio Beira-Rio, em um amistoso contra o Benfica.
Abandonou o futebol em 1979, aos 29, cansado de ser bigorna, ter que emagrecer, e frustrado por lesões no joelho.
Claudiomiro morreu na sexta (24), após sofrer um mal súbito em sua casa, em Canoas (RS), aos 68. Recebeu homenagens do Inter, onde ainda é ídolo.
"Na minha casa não tem azulejo. Só vermelhejo", disse, citando a cor do arquirrival do Inter, o Grêmio. Esta frase, pelo menos, ele falou.

Alex Sabino realiza o necrológio de Claudiomiro na Folha de São Paulo

quarta-feira, 3 de agosto de 2016

Morre o ex-lateral do Inter Vacaria

Morre o ex-lateral do Inter Vacaria

Ex-atleta de 67 anos estava internado em função de complicações de saúde


Morreu neste sábado o ex-lateral do Inter Olavio Dorico Vieira, conhecido como Vacaria. O ex-jogador tinha 67 anos e havia sido internado devido a complicações de saúde decorrentes de um Acidente Vascular Cerebral (AVC), sofrido em 2013, e também de hepatite.

Em nota publicada em seu site nesta tarde, o Inter lamentou a morte do ex-atleta. As informações sobre o velório ainda não foram divulgadas.

Vacaria é considerado um dos grandes laterais-esquerdos do futebol brasileiro. Natural de Urussanga, Santa Catarina, em 1949, ele começou a jogar futebol aos 16 anos. Dois anos depois, tornou-se profissional e começou a atuar pelo 14 de Julho de Passo Fundo, onde ganhou o apelido.

Foi em 1970, após uma grande temporada pelo 14 de Julho, que Vacaria foi, então, para o Internacional. Apesar de ter feito parte do grupo campeão gaúcho nos anos de 70 e 71, o lateral não se firmou como titular e foi emprestado ao Figueirense em 1972. 

No ano seguinte, retornou ao Inter e se tornou titular absoluto das equipes comandadas por Dino Sani e Rubens Minelli. Ao lado de craques como Valdomiro, Carpegiani, Caçapava, Falcão e Figueroa, Vacaria participou do time que conquistou o bicampeonato brasileiro (1975-1976) e o octacampeonato gaúcho (1976).  

Em 1977, o Vacaria foi para o Palmeiras e fez parte da equipe vice-campeã brasileira em 1978. No início da década seguinte, abandonou a carreira de atleta e se tornou treinador. Como técnico, passou por equipes do interior gaúcho e de Santa Catarina.

Em 1998, foi campeão catarinense pelo Criciúma. Nos últimos anos, trabalhou no Inter, no departamento de relacionamento social, participando de viagens aos consulados do Clube.


Reprodução do Correio do Povo. A notícia é de 30/07/2016.

terça-feira, 28 de junho de 2016

Morre Caçapava, ex-jogador do Inter

Morre Caçapava, ex-jogador do Inter

Luís Carlos Melo Lopes foi um dos maiores ídolos da história do clube

Um dos maiores ídolos da história colorada, Luís Carlos Melo Lopes morreu às 7h30min desta segunda-feira. Aos 61 anos, natural de Caçapava do Sul, ficou conhecido pelo nome de sua cidade: Caçapava. O ex-jogador morreu de infarto na cidade natal.
O ex-volante jogou no Inter na década de 70. Em 1972 o ex-atleta transferiu-se para o Inter, onde, aos poucos, começou a trilhar o caminho das grandes conquistas. Em 1974, conquistou seu primeiro grande título com a camisa colorada, o primeiro Campeonato Gaúcho de muitos outros que estavam por vir – venceu também em 1975, 1976 e 1978.
Atualmente, Caçapava trabalhava no setor de relacionamento social do Inter e participava dos eventos consulares do Colorado. 

Reprodução do Correio do Povo

domingo, 8 de maio de 2016

Ex-craque do Inter, Larry morre aos 83 anos em Porto Alegre

No clube, ex-atleta ficou conhecido como "Cerebral"

O ex-jogador do Inter Larry Pinto de Faria morreu aos 83 anos nesta sexta-feira em Porto Alegre. As causas da morte ainda não foram divulgadas, mas ele estava internado no Hospital Santa Casa há dois meses. Durante as décadas de 50 e 60, ele formou um dos maiores times da história do clube. Natural de Nova Friburgo, no Rio de Janeiro, e revelado pelo Fluminense, o Larry chegou ao Colorado em 1954, onde permaneceu até 1961. Após se aposentar, ele foi eleito vereador.
O velório será realizado na Capela Nossa Senhora das Vitórias, no estádio Beira-Rio, das 15h de hoje até as 15h deste sábado. O funeral ocorrerá às 16h de amanhã no Crematório Metropolitano Saint Hilaire, na rua Senador Salgado Filho, 2980, em Viamão. Um minuto de silêncio na decisão contra o Juventude, agendada para este domingo, deve ser realizado antes do começo do jogo.  
O Cerebral
Considerado um centroavante técnico, Larry conquistou a torcida no primeiro Gre-Nal que disputou, quando marcou quatro gols na goleada de 6 a 2, durante o festival de inauguração do Olímpico. Foi campeão Pan-Americano em 1956, quando a seleção gaúcha representou o Brasil. No Campeonato Gaúcho de 1955, Larry marcou 23 gols em apenas dezoito jogos.
Em função do estilo de jogo, Larry passou a ser chamado pela torcida colorada de "Cerebral". Com outro centroavante, o pernambucano Bodinho, ele formou uma dupla infernal, capaz de tabelinhas só comparáveis às dos santistas Pelé e Coutinho. Larry participou de 260 partidas pelo Inter e fez 176 gols.

Reprodução do Correio do Povo.

Comentário rápido: eu me lembro vagamente de Larry como comentarista esportivo da antiga TV Difusora (atual Band), nos anos 1970.

quinta-feira, 24 de março de 2016

Morre ídolo do futebol holandês Johan Cruyff

Morre ídolo do futebol holandês Johan Cruyff

Ex-jogador sofria de câncer no pulmão

Johan Cruyff, um dos maiores jogadores da história, morreu nesta quinta-feira aos 68 anos, vítima de um câncer de pulmão. "Em 24 de março de 2016, Johan Cruyff (68 anos) faleceu em Barcelona, cercado por sua família depois de uma longa luta contra o câncer. Pedimos com grande tristeza que a privacidade da família seja respeitada durante o período de luto", informou sua família através do site de Cruyff.
O holandês foi vencedor de três bolas de ouro, a maior premiação individual para um jogador de futebol (1971, 1973, 1974). O jogador revolucionou o meio de campo vestindo as camisas do Ajax de Amsterdã e do FC Barcelona, entre outros, bem como a da seleção holandesa, sendo finalista do Mundial de 1974.

Cruyff revelou em outubro de 2015 que estava sofrendo de um câncer no pulmão. Fumante inveterado, largou o cigarro em 1991 depois de ser submetido a uma cirurgia cardíaca. Inclusive protagonizou uma campanha para o departamento de saúde regional da Catalunha, onde faz 16 embaixadinhas com um pacote de cigarro antes de chutá-lo para longe. "Em minha vida, tive dois grandes vícios: fumar e jogar futebol. O futebol me deu tudo na vida e, em compensação, fumar quase a tirou de mim", afirmava no anúncio.
Há pouco mais de um mês, o ex-craque holandês afirmou que o tratamento contra seu câncer no pulmão estava rendendo resultados "muito positivos" e mostrou-se convencido de que venceria esta batalha. "Depois de várias sessões de tratamento médico, hoje posso dizer que os resultados estão sendo muito positivos, graças ao excelente trabalho dos médicos, ao carinho das pessoas e à minha mentalidade positiva", afirmou Cruyff, em um comunicado feito divulgado pela empresa Cruyff Management.
Inspiração para muitos
Apelidado de "o holandês voador", o ex-jogador de 68 anos era a encarnação do "futebol total", praticado nos anos 1970 pelo Ajax e pela seleção holandesa. Junto a outros holandeses como Johan Neeskens, Ruud Krol e Arie Haan, maravilhou o mundo pelo gosto pelo bom futebol.
Apesar de sua figura esguia e aparência frágil, Cruyff viveu sua glória como jogador no Ajax entre 1964 e 1973 como uma referência entre os meio-campistas, criando jogadas, como um maestro, e tornando-se uma fonte de inspiração para muitos jogadores que o sucederam, como o francês Michel Platini. "Foi o melhor jogador de todos os tempos", declarou Platini nesta quinta-feira.
Visão de jogo, passes rápidos e precisos, técnico, talentoso e goleador, Cruyff tinha todas as características de um bom jogador de futebol moderno. Profissional desde os 17 anos no Ajax, Cruyff cresceu com o número 14 nas costas, número que permanece emblema da sua passagem pelo Ajax. Em 1973 se juntou ao FC Barcelona treinado por seu compatriota Rinus Michels (1973-1978).
Entre as imagens que ficarão para a posteridade, destaca-se o da final da antiga Copa da UEFA de 1972, em Roterdã, entre Ajax e a Inter de Milão, vencida por 2 a 0 pelos holandeses, impondo todo o seu futebol contra os italianos. Era a segunda de três vitórias consecutivas do Ajax na competição continental

Reprodução do Correio do Povo

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

D’Alessandro, o último camisa 10?

Partiu d’Alessandro.
Deixará saudades.
Mesmo como ex-colorado, serei viúva dele como sou de Nilmar.
Nilmar até quando errava era bonito.
D’Alessandro tinha, mais do que tudo, técnica.
A sua arte era o essencial do futebol, o drible.
Jogava, apitava, comentava e orientava o time em campo.
Jogador completo.
O futebol está mudando. Há quem acredite que agora o esquema é que ganha jogo.
Esquema privilegia o treinador.
O Grêmio não seria o talento de Luan, mas a estratégia de Roger.
Eu sou cada vez mais antigo. Para mim, futebol é o coletivo transfigurado pelo talento individual.
Foi o que aprendi numa longa entrevista com Michel Platini, em 1994, em Paris.
Estou há 30 anos de algum modo no jornalismo esportivo. Fui repórter da Zero Hora cobrindo Grêmio e até Seleção Brasileira. Como correspondente internacional, cobri muito esporte. Há anos, sou debatedor em programas esportivos da Rádio Guaíba. Tive participações longevas na televisão. Em todo esse tempo, vi poucos jogadores como D’Alessandro. Na infância, vi o Inter de 1976 e 1976.
D’Alessandro faz parte da história dos jogadores mais talentosos da história colorada.
Tecnicamente sempre jogou mais do que Fernandão, embora não tenha sido campeão mundial.
Só Falcão e Carpeggiani jogaram, do ponto de vista técnico, mais do que ele.
Ruben Paz foi um pouco abaixo.
Há quem considere D’Alessandro um jogador superado, lento, que cadencia o jogo, segura a bola, etc.
Talvez D’Alessandro seja o último camisa 10 à moda antiga, esse pássaro em extinção no tempo do tique-taque e da velocidade transformada em correria desenfreada, frenética e muscular.
Foi-se D’Alessandro e com um ele tempo romântico fora de época, do engajamento na era da mercadoria total, de permanência no tempo da volatilidade, de paixão no etapa do cálculo total, o homem cerebral e passional que controlava o jogo, levantava a cabeça, parava, pensava, distribuía e criava.
D’Alessandro tinha de partir no carnaval, pois ele lembra velhos carnavais de salão, de rua, de guerras de bisnagas, de coloridos que se esmaeceram, de dribles batizados e de paixões eternas de quatro noites.
Entendo D’Alessandro: voltou por paixão. É seu último ano para jogar uma Libertadores pelo River.
Valeu, D’Ale.
Tu foste 10!


Reprodução do Blog do Juremir Machado da Silva, no Correio do Povo

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Morre, aos 73 anos, o ex-lateral do Inter Jorge Andrade

Morre, aos 73 anos, o ex-lateral do Inter Jorge Andrade

Campeão gaúcho com o clube estava internado para tratar um câncer
O ex-jogador do Inter Jorge Andrade morreu na noite desta quarta-feira, aos 73 anos. Ele estava internado no Hospital Santa Rita, em Porto Alegre, onde lutava contra um câncer.

Lateral-esquerdo, ele se destacou com o Colorado em 1967 e seguiu no clube até 1975. Representando a camisa vermelha, foi campeão gaúcho e, depois, treinador do time de juniores.

Jorge Andrade será velado na Capela Nossa Senhora das vitórias, no Beira-Rio. Ele deixa os filhos Maurício e Jorge Andrade Filho, que atualmente trabalha como gerente executivo das categorias de base do Clube.
Reprodução do Correio do Povo.

domingo, 4 de outubro de 2015

Kita, ex-jogador da dupla Gre-Nal, morre aos 57 anos

Kita, ex-jogador da dupla Gre-Nal, morre aos 57 anos

Atacante foi medalhista de prata com a Seleção Brasileira em 1984
João Leithardt Neto, o Kita, morreu neste sábado, em Passo Fundo. O ex-jogador da dupla Gre-Nal estava com 57 anos e há alguns anos sofria com problemas graves de saúde, como diabetes. Ele chegou a ter amputada uma perna.

Ao longo de sua carreira nos gramados, Kita jogou pelo 14 de Julho e Gaúcho de Passo Fundo e se tornou famoso ao conquistar o título paulista de 1986 pela Inter de Limeira, sendo artilheiro da competição com 23 gols. Depois passou por Internacional, Flamengo, Portuguesa, Grêmio (pelo qual foi campeão da Copa do Brasil de 1989), Atlético-PR (campeão paranaense) e Figueirense. Pela Seleção Brasileira, foi medalhista de prata nas Olimpíadas de 1984.

Ele deixa a esposa Carmem, e os filhos Camila, Alexandre e Guilherme. O corpo está sendo velado no cemitério Memorial Vera Cruz e será sepultado neste domingo, no Cemitério dos Ribeiros, às 9h. O prefeito Luciano Azevedo decretou luto oficial de três dias no município.

Reprodução do Correio do Povo

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

Gaúcho da Copa morre aos 60 anos

Gaúcho da Copa morre aos 60 anos

Torcedor símbolo teve complicações decorrentes de um câncer
O corretor de imóveis Clóvis Acosta Fernandes, 60 anos, mais conhecido como Gaúcho da Copa, morreu por volta das 5h30min desta quarta-feira no Hospital Santa Rita, da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre, onde estava internado desde o dia 28 de julho deste ano. Ele teve complicações decorrentes de um câncer que enfrentava há nove anos e encontrava-se sob tratamento na instituição. O velório e sepultamento estão marcados para ocorrer no Cemitério São Miguel e Almas. Ele deixa esposa e quatro filhos.

Gremista e sempre pilchado, de chapéu e com a camiseta da seleção brasileira e segurando a Taça do Mundo, Fernandes assistiu sete copas do mundo, iniciando pela promovida na Itália em 1990 e tendo como última a realizada no Brasil em 2014. 

Fernandes acompanhou também algumas edições da Copa América e da Copa das Confederações, entre outras competições no exterior, totalizando mais de 150 partidas em cerca de 60 países. Tornou-se assim uma espécie de “embaixador gaúcho do futebol”. O bigode era uma marca registrada dele. 

No início de novembro de 2013, dois representantes FIFA, vindos da Suíça, estiveram em Porto Alegre para gravar um documentário, retratando-o com torcedor símbolo. Em retribuição, o Gaúcho da Copa brindou os visitantes com chimarrão e churrasco.

Reprodução do Correio do Povo

segunda-feira, 20 de julho de 2015

Morre Alcides Ghiggia, carrasco da Copa de 1950

Morre Alcides Ghiggia, carrasco da Copa de 1950

Jogador faleceu exatamente no aniversário da vitória contra o Brasil
O ex-atacante Alcides Edgardo Ghiggia, autor do gol que deu a vitória ao Uruguai sobre o Brasil na fatídica final da Copa do Mundo de 1950, em pleno Maracanã, morreu nesta quinta-feira, conforme sua esposa e a mídia uruguaia. O ex-jogador, lenda viva do futebol mundial e autor do gol que calou o Maracanã na final contra o Brasil em 1950, faleceu exatamente no 65º aniversário da vitória por 2 a 1, no que ficou conhecido como "Maracanazo", aos 88 anos.

De acordo com o jornal El País, do Uruguai, Ghiggia sofreu uma parada cardíaca. Ele morava em Las Pedras, a cerca de 30 quilômetros de Montevidéu, e trabalhava em um supermercado, de onde tirava o seu sustento. 

Ghiggia, conforme o El País, estreou na seleção uruguaia e em 6 de maio de 1950 justo contra o Brasil e, após o Maracanazo, enfrentou a Seleção Brasileira outras quatro vezes. E sempre marcou gol. 

Reprodução do Correio do Povo

segunda-feira, 15 de junho de 2015

Ex-jogador Zito morre aos 82 anos

Ex-jogador Zito morre aos 82 anos

Santista foi campeão do mundo com a Seleção em 1962
Morreu na noite desse domingo, aos 82 anos, José Ely de Miranda, o Zito, integrante da Seleção Brasileira bicampeã do mundo em 1962. O Santos confirmou a informação no fim da noite, mas não informou a causa da morte do ex-jogador. Há menos de um ano, ele havia sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) e passado um mês internado.

Um dos maiores volantes da história do futebol brasileiro, Zito ganhou dezenas de títulos pelo Santos, incluindo as Libertadores e os Mundiais de 1962 e 1963, além do título com a Seleção na Copa do Chile. Depois de encerrar a vitoriosa carreira, Zito trabalhou nas categorias de base do Santos. Credita-se a ele a descoberta de craques como Robinho, Diego e Neymar.

Com sua morte, os únicos remanescentes do time de 1962 são Pelé e Zagallo.

Reprodução do Correio do Povo

quarta-feira, 16 de julho de 2014

Futebol


Terminou a orgia cívica do trintídio a que o mundo se entrega, a cada quatro anos, colonizado por uma instituição cujo poder transcendeu o saudável. Ela se aproxima perigosamente de uma organização inescrupulosa cujo objetivo é explorar a honesta paixão do homem pelo futebol. Trata-se da última lavanderia que ainda resiste ao controle de qualquer fiscalização. Como hospedeiro da diversão, o Brasil esforçou-se para fazer a sua parte, sob duras críticas internas e externas, algumas até procedentes. Fomos muito bem. Talvez menos do que gostaríamos, mas muito melhor do que supunham os censores.
Como era de se esperar, quando a "bola rolou" a emoção superou todas as dúvidas e reprimendas. O entusiasmo verde e amarelo tomou conta da sociedade. As esperanças foram crescendo a cada jogo. Nas vésperas de eleições, o governo tentou, imprudentemente, apropriar-se dos resultados e a oposição, desenxabida, fingiu alegria.
Infelizmente, tivemos um grave pânico quando internalizamos nossa inferioridade técnica coletiva, mas não terminamos tão mal. Afinal somos a quarta seleção no "ranking" mundial. A ideia divertida de que a seleção nacional é a "pátria de chuteiras" transformou a surpreendente derrota em "vergonha nacional", em lugar de vê-la como ela é: um acidente explicável num jogo que deve ser puro divertimento. Sábios cronistas exigiram "ao menos um gol de honra" para consolar a pátria "humilhada"! E não faltaram análises filosóficas sérias, capazes de tudo explicar quando o futuro já era passado...
Tudo de um ridículo assustador! A exceção foi o espetáculo do hino nacional cantado a capela pelos cidadãos de 5 a 90 anos que ocuparam os estádios. Isso sugere que debaixo do lúdico verniz superficial transitório, desperto enquanto a "bola rola", há um forte, sólido e permanente sentimento de pertinência à pátria.
Essa é a condição inicial necessária para enfrentarmos nosso verdadeiro problema: continuar a construir a sociedade civilizada sugerida na Constituição de 1988: 1º) uma República, em que todos, até o Estado e o poder incumbente que o representa, obedecem à mesma lei, sob o controle de um Supremo Tribunal Federal independente; 2º) uma democracia competitiva com eleições livres regulares e 3º) onde as políticas públicas têm como foco principal o aumento da igualdade de oportunidades para todos os cidadãos.
Foi prudente a presidente Dilma ao conter a apressada "modernização da estrutura do futebol" com estímulo oficial, porque não foi isso que a Alemanha fez. A Copa acabou e, a despeito de toda filosofia, o Brasil é o mesmo, com suas virtudes e seus problemas. A segunda-feira chegou. É hora de voltar a trabalhar!


Texto de Antonio Delfim Netto, na Folha de São Paulo

terça-feira, 15 de julho de 2014

Um tetra épico


Acabou a Copa que se imaginava um vexame fora dos estádios e uma apoteose brasileira dentro, com a consagração do hexacampeonato.
Deu-se exatamente o inverso.
A seleção brasileira registrou seu maior fiasco em cem anos de história e, embora a Copa do Mundo tenha sido, futebolisticamente falando, de grande qualidade, o legado esportivo que deixa é a tardia, e urgente, reforma de métodos de gestão na podre estrutura de poder da CBF e suas apaniguadas federações, com a tradicional cumplicidade dos clubes, todos, perdão, pelo chavão, farinhas do mesmo saco da corrupção e da incompetência.
Ganhou a Alemanha, exemplo de racionalidade em busca da excelência, capaz de em apenas 14 anos dar a volta por cima, retornar ao pódio sem jamais ter deixado de disputar as primeiras posições.
Chega ao tetra 24 anos depois de seu tri, a exemplo do que fizeram as seleções do Brasil e da Itália no mesmo espaço de tempo, com a diferença de tê-lo conquistado com bola em andamento, graças ao golaço de Götze no segundo tempo da prorrogação de um jogo épico no Maracanã, disputado palmo a palmo, com domínio germânico, melhores chances argentinas e um pênalti de Neuer em Higuaín não assinalado.
A Alemanha tem um timaço, repleto de craques, muitos mais que a aguerrida Argentina, cuja única andorinha não pode mais fazer verão nem lá nem em time nenhum do mundo, porque cada vez mais o futebol é coletivo e depende menos de individualidades, por melhores que sejam e por mais que sigam fazendo diferença.
Além do mais, a Alemanha dá o exemplo com seu futebol autossustentável fora de campo, com clubes que vivem dentro de seus orçamentos e investem nas categorias de base e com média de público de mais de 45 mil torcedores por jogo, com coragem para apostar num técnico jovem que batalha por um futebol não só vencedor como bem jogado.
Seria ruim, neste momento brasileiro, vermos uma vitória que os áulicos atribuiriam a alguém como Julio Grondona, tão nefasto como os nossos cartolas.
De certa forma, o Maracanã acabou por viver outro Maracanazo, mas agora em castelhano. Porque foi desolador ver como ficaram os hermanos em seu último tango no Rio.
Registre-se que, mesmo doloridos, os jogadores platinos permaneceram no gramado para a premiação, diferentemente do que fizeram os brasileiros no Mané Garrincha, falta de educação que repetiu a Olimpíada de Atlanta.
Messi foi o melhor da Copa para a Fifa, embora Robben tenha sido o melhor, para a coluna.
Por menos que os adeptos do quanto pior melhor queiram admitir, o Brasil, graças à simpatia popular e às suas belezas que encantam e cegam os estrangeiros, também ganhou.
Fez um bom anúncio de si mesmo, mesmo que não possam ser relevados os aspectos não considerados pelos que vieram de fora: elefantes brancos que ficarão como heranças pesadas, superfaturamentos, mortes de trabalhadores nos estádios ou embaixo de viadutos, feriados para minimizar congestionamentos, desocupações desumanas, falta de iluminação no jogo de abertura, invasão de torcedores no Maracanã, prisões arbitrárias para evitar manifestações, shows pífios de abertura e encerramento, enfim, o rebaixamento, como vingança, do tal padrão Fifa, por mais que, de fato, os estádios sejam belos e confortáveis.
Aspectos para nós, brasileiros, digerirmos daqui para a frente em relação aos megaeventos, que, no mínimo, devem passar por consultas populares, porque está claro que são muito bons para os que os promovem e não necessariamente para quem os recebe e paga por eles.
Porque não há maior exemplo de complexo de vira-lata do que se bastar com os elogios externos, mesmo que, muitas vezes, superficiais, quase folclóricos, influenciados pelo exotismo, por exemplo, das favelas.
Repita-se: o Brasil ganhou a 20ª Copa do Mundo da Fifa e ainda por cima prendeu gente dela que há décadas atenta contra a economia popular, um legado inestimável, exemplar, digno de ser aplaudido de pé assim como a hospitalidade nacional.
Nossa Copa foi muito melhor que a da África do Sul, mas não foi, como organização, melhor que a de 2006.
Claro, da Alemanha se espera perfeição, e a Alemanha esteve perto disso.
Do Brasil esperava-se uma catástrofe, e o Brasil ficou longe disso.


Texto de Juca Kfouri, na Folha de São Paulo

domingo, 13 de julho de 2014

Morre Osmar de Oliveira, comentarista da Band

Morreu nesta sexta-feira o comentarista da TV Band Osmar de Oliveira, aos 71 anos, após parada cardíaca. Ele estava internado no hospital AC Camargo, em São Paulo, onde se recuperava de uma cirurgia para a retirada de um tumor na próstata. Ele também tinha problema de pulmão. A morte foi confirmada pela família de Osmar de Oliveira. O comentarista sofreu complicações na área renal na tarde desta sexta-feira e precisou passar por um procedimento. Após forte hemorragia, houve nova complicação; médicos tentaram reanimá-lo, mas ele sofreu uma parada cardíaca por volta de 18h30 e morreu.


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sábado, 12 de julho de 2014

A longa preparação

Perguntam-me se os 7 x 1 contra a Alemanha se comparam à derrota de 1950, por 2 x 1, contra o Uruguai, e à de 1982, por 3 x 2, contra a Itália. Respondo que, apesar do placar absurdo de terça-feira, as duas do passado foram piores. Por três motivos: 1. Não se esperava por elas. 2. Podiam não ter acontecido. 3. O país estava apaixonado por aquelas seleções. E houve outro importante fator.
Em 1950, o Brasil não só já era campeão mundial de véspera como, aos 33 do 2º tempo, com 1 x 1 no placar e jogando bem, continuava a sê-lo. De repente, aos 33 minutos e 32 segundos, com o gol de Ghiggia, deixou de ser. Dali ao apito final, o país teve menos de 12 minutos para se adaptar a uma realidade fora de qualquer script, mesmo que este tivesse sido escrito por um uruguaio.
Em 1982, a mesma coisa. Aos 30 minutos do 2º tempo, com Zico, Falcão, Sócrates, Junior, Leandro e Eder contra a Itália, o 2 x 2 garantia nossa passagem às semifinais e ao título. Subitamente, o terceiro gol do italiano Paolo Rossi mudou tudo. E, mais uma vez, o Brasil só dispôs de 15 minutos para se habituar a uma nova ordem no universo.
Contra a Alemanha, outro dia, foi bem diferente. A partir do primeiro gol, com 10 minutos de jogo, tivemos a eternidade de outros 80 para, à medida que os gols alemães se sucediam, processar toda uma gama de sentimentos. Pela ordem, gol a gol: decepção, choque, dor, revolta, humilhação --milhares de televisores desligados nesse momento --, conformismo e, por fim, a galhofa contra nós mesmos. O fim da partida foi um alívio, um bálsamo, quase um orgasmo.
Hoje vemos que, desde a estreia na Copa, contra a Croácia, já nos preparávamos para o pior. Ou quem sabe essa preparação não terá mais de dez anos, quando começou a ficar evidente o divórcio entre o Brasil e seu futebol?


Texto de Ruy Castro, na Folha de São Paulo

terça-feira, 8 de julho de 2014

Aos 88 anos, Di Stéfano morre na Espanha

Aos 88 anos, Di Stéfano morre na Espanha

Presidente de honra do Real Madrid estava hospitalizado após parada cardíaca


Um dos maiores ídolos da história do Real Madrid, Alfredo Di Stéfano, morreu aos 88 anos nesta segunda-feira no hospital Gregorio Mariñon, em Madrid, na Espanha. De acordo com o jornal Marca, o presidente de honra do clube sofreu nesse sábado uma parada cardíaca e estava em condições críticas. 

Durante 11 anos (1953-1964), Di Stéfano vestiu a camiseta do Real Madrid, marcando 308 gols em 396 partidas oficiais. Nesse domingo, o atual presidente do Real, Florentino Pérez, visitou Di Stéfano e havia deixado o hospital com a esperança de que o ídolo se recuperasse. 

Com o Real Madrid, Di Stéfano conquistou cinco Copas da Europa de maneira consecutiva, um Mundial e duas Copas Latinas, além de uma Copa da Espanha e oito Ligas. Conforme o site do clube, conquistou também a Bola de Ouro em duas oportunidades e em 1989 a France Football premiou a sua trajetória com a Super Bola de Ouro, concedida somente a Di Stéfano até hoje.  


Reprodução do Correio do Povo

domingo, 1 de junho de 2014

Lateral da seleção de 74, Marinho Chagas morre aos 62 anos em João Pessoa

O ex-lateral Marinho Chagas, que defendeu o Brasil na Copa de 1974, morreu neste sábado. Ele estava internado no Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa, na Paraíba. Ele passou mal no domingo e, no hospital, foi diagnosticado com hemorragia digestiva. Neste sábado, não resistiu. De acordo com informações da assessoria de imprensa do hospital, ele morreu por volta das 3h da manhã, aos 62 anos.
Marinho, que também fez história no Botafogo, foi internado na tarde deste sábado primeiramente em um pronto-socorro. O ex-jogador chegou ao local vomitando sangue após passar mal durante um evento de troca de figurinhas da Copa do Mundo, em uma banca de jornal da capital paraibana. Marinho dava autógrafos e conversava com os presentes quando teve o problema.
Recentemente, ele foi internado com problemas de alcoolismo e chegou a passar dez dias no hospital para se recuperar, como conta o site Que Fim Levou, de Milton Neves.
Marinho Chagas teve uma das ascensões mais fenomenais do futebol brasileiro. Nascido em Natal em 1952 como Francisco Chagas Marinho, aos 17 anos já se destacava em um pequeno time local, o Riachuelo, e atraía a atenção de um dos grandes clubes do futebol potiguar, o ABC. Em 1971, já arrasava na lateral-esquerda do Náutico, a potência do futebol pernambucano na virada da década de 1960 para os anos 70.
Sem nenhuma consciência tática defensiva, Marinho Chagas acabaria sendo um revolucionário da posição do lateral. Seus rompantes ofensivos viraram sua marca. E sua personalidade forte e ousada, aliada aos cabelos loiros compridos que o renderam o apelido de 'bruxa loira', seu legado. Em 1972, encarou em um campo de futebol pela primeira vez seu grande ídolo, Pelé. Um chapéu aplicado sobre o 10 do Santos virou notícia no Brasil inteiro e sua contratação por um clube do eixo Rio-SP, questão de tempo.
Bastou o cantor Aguinaldo Timóteo, botafoguense fanático e que fazia muito sucesso na época, ligar para o presidente do clube carioca implorando para contratar "um monstro" que ele já conhecia por suas viagens ao Nordeste. No Botafogo, explodiu e virou ídolo imediato.
Em menos de dois anos, estava garantido como titular da seleção brasileira que iria para a Alemanha buscar o tetracampeonato. Seu desempenho foi um resumo da sua carreira: em campo, foi eleito o melhor jogador da Copa de 1974; fora dele, entrou para a história do futebol brasileiro pelo episódio da briga com o goleiro da equipe, Leão.
Chamado pelo lendário comentarista João Saldanha de "Avenida Marinho Chagas" por atacar demais e descuidar da marcação, o lateral foi apontado por Leão por ser culpado pelo gol da Polônia marcado por Lato que tirou do Brasil o terceiro lugar da Copa da Alemanha. Os dois, segundo conta a história e nenhum dos dois desmente, trocaram porrada no vestiário.
As passagens de Marinho Chagas fora das quatro linhas, aliás, formam um histórico dos mais ricos e folclóricos do futebol brasileiro. Ainda nos tempos de Náutico, o jogador brilhou em um amistoso na Jamaica. Cantor no intervalo da partida disputada em Kingston, um tal Bob Marley, que ainda era um desconhecido no resto do mundo, ficou fascinado com a forma de jogar e com o visual desgrenhado de Marinho. No vestiário, o brasileiro levou três discos do mito do reggae, em troca de uma camiseta da equipe pernambucana.
Suas lendas, porém, acabaram fazendo de Marinho Chagas um jogador questionado quando não estava jogando. Tratado como um profissional pouco disciplinado, ele mesmo admitia em entrevistas que gastou demais o caminhão de dinheiro que ganhou no seu auge como jogador. E que os abusos com a bebida prejudicaram muito a sua saúde e suas relações familiares.
Durante os anos 70, entretanto, Marinho Chagas não parava de brilhar. Transferido do Botafogo para o Fluminense, enlouqueceu o então presidente do tricolor carioca, Francisco Horta, ao cobrar pênaltis de maneira peculiar durante a disputa do Torneio Teresa Herrera, em 1977: ele corria para a bola, dava uma paradinha, fazia um giro de 360 graus com o corpo e, quando o goleiro já estava no chão, rolava para a rede.
Nesta mesma excursão, Marinho Chagas teve seus maiores dias como superstar. Em uma festa em um palácio em Nice, na costa mediterrânea da França, o lateral contava – era confirmado pelos presentes – que dançou sensualmente com Grace Kelly, a estrela hollywoodiana dos filmes de Alfred Hithcock e que já era a princesa de Mônaco desde 1956.
A passagem pelo Fluminense foi trampolim para outra aventura internacional de Marinho. Contratado pelo Cosmos de Nova York, o potiguar atuou ao lado do maior craque alemão, Franz Beckenbauer. Transferido para uma equipe menor do futebol dos Estados Unidos (Strikers), voltaria em 1981 para o Brasil, onde defenderia e conquistaria o título paulista pelo São Paulo, encerrando um jejum de conquistas, já que saiu do Rio de Janeiro ser ter vencido nenhum título.
Marinho Chagas passaria ainda por Bangu, Fortaleza e América-RN antes de voltar mais uma experiência nos EUA e o encerramento da carreira na Alemanha, pelo Augsburg, em 1988.

Reprodução do UOL Esportes

quinta-feira, 20 de março de 2014

SP: morre capitão de primeiro título mundial do Brasil

Morreu nesta quinta-feira Hilderaldo Luís Bellini, capitão do primeiro título mundial da Seleção Brasileira de futebol, em 1958. O ex-zagueiro, que também se sagrou campeão em 62, teve problemas devido ao Mal de Alzheimer e não resistiu.

Bellini foi internado na noite de quarta-feira (19 de março), no Hospital Nove de Julho, em São Paulo, aos 83 anos de idade. Ele sofria há mais de 10 anos com o Mal de Alzheimer.
No mês passado, após ficar hospitalizado por 60 dias, passou a receber acompanhamento médico em casa. O quadro da doença estava piorando gradativamente e, há cerca de três anos, o ex-zagueiro perdeu a fala.
No fim do ano passado, por exemplo, o capitão da conquista de 58, na Suécia, havia sido internado, mas voltou a sentir os mesmos problemas agora. Bellini foi campeão mundial pela Seleção também em 1962, no Chile, quando cedeu a faixa de capitão a Mauro.
Bellini, o eterno capitão verde-amarelo
Bellini foi o primeiro capitão da Seleção Brasileira a conquistar uma Copa do Mundo, em 1958. Ele ficou conhecido no mundo todo como o precursor do gesto de levantar a taça. Segundo relatos, após a conquista de 58, o capitão recebeu a Jules Rimet e os fotógrafos, que não conseguiam ver o troféu, pediram para que ele o levantasse, imortalizando assim tal ato.
Nascido em Itapira-SP, em 7 de junho de 1930, Hilderado Luiz Bellini começou a jogar em 1949, na Esportiva São Joanense. Transferiu-se ao Vasco da Gama em 1952, onde permaneceu até 1961. Foi jogando pelo time de São Januário que o zagueiro conquistou os únicos títulos em clubes: três Campeonatos Cariocas, em 1952, 1956 e 1958, e um Torneio Rio-São Paulo, em 1958.
Em 1962, o zagueiro foi para o São Paulo, onde ficou até 1968. Mesmo não conquistando nenhum título com a camisa do time do Morumbi, Bellini jogou com a mesma garra e seriedade que sempre foram a marca registrada dele. Em 1969, encerrou a carreira no Atlético-PR.
Com a camisa da Seleção Brasileira, o zagueiro conquistou as Copas do Mundo de 1958 e 1962. Apesar de não ser dos mais habilidosos da história, Bellini se destacava por ser um jogador com muita raça e força. Até por isso, foi o capitão da conquista de 58.
A foto levantando a Taça Jules Rimet com as mãos sobre a cabeça é uma das marcas do futebol brasileiro, e passou a ser repetida por todo capitão em caso de título. Bellini, que tem uma estátua na porta do Estádio Maracanã em  homenagem e simbolizando o gesto, deixa mulher e dois filhos.

Reprodução do Terra.