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quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Eleições acirraram a luta de classes no país, diz filósofo

Eleições acirraram a luta de classes no país, diz filósofo

terça-feira, 30 de setembro de 2014

Os proprietários do poder

De uns tempos para cá o PMDB se tornou o grande vilão da política brasileira. É acusado de se oferecer a qualquer governo, trocando votos no Legislativo por um punhado de cargos no Executivo. Além de corromper a administração pública, seu fisiologismo atrelaria o país a uma agenda mesquinha, impedindo transformações estruturais.
De onde vem esse poder maligno? Das urnas. É o partido que mais elegeu governadores, prefeitos e parlamentares desde a redemocratização do país. Ele espelha a vontade do eleitorado nacional --mas mostra o que esse eleitorado realmente é, não o que ele gostaria de ser.
Talvez por isso o PMDB tenha sido tão amaldiçoado nas manifestações de junho: a mão que vota é a mesma que apedreja. Tanto é assim que hoje a legenda lidera as eleições para governador em oito Estados, inclusive no Rio de Janeiro. O que explica esse ressentimento?
Bem ou mal, o PMDB entrega ao eleitor o prato de lentilhas que promete: leva prefeitos aos ministérios, propõe emendas destinando verbas aos municípios, inaugura escolas, postos de saúde, quadras esportivas.
Para entregar as lentilhas, precisa ter acesso ao Executivo --tanto para dirigir as ações governamentais como para liberar recursos para seus redutos. E tem acesso fácil ao Executivo porque está no centro do espectro político, o que lhe dá flexibilidade suficiente para fechar alianças à direita e à esquerda.
A esquerda quer promover a igualdade, e por isso aprova leis em defesa dos trabalhadores. A direita quer preservar as diferenças, logo adota medidas para beneficiar os empresários. Um partido de centro aceita conceder benefícios aos trabalhadores e incentivos aos empresários, desde que tudo fique como está.
No Brasil, o primeiro grande partido de centro foi o antigo PSD (1945-1965), "a voz do Brasil unido". E do PSD saíram os principais dirigentes do moderno PMDB, Ulysses Guimarães (SP) e Tancredo Neves (MG).
Qual é o substrato social de um partido de centro? A propriedade fundiária. Os proprietários fundiários não se identificam nem com os empregadores nem com os empregados, mas formam uma classe à parte. Suas fontes de renda não são impactadas diretamente por variações nos lucros e nos salários, daí sua plasticidade política.
Desalojados da Presidência pela Revolução de 1930, os proprietários fundiários se concentraram no Congresso --hoje os ruralistas representam mais da metade da bancada do PMDB. Como não têm mais força para comandar o país --há quanto tempo o partido não lança um candidato a presidente?--, eles procuram barrar, no Legislativo, todas as iniciativas que possam prejudicá-los.
Em geral conseguem. O PSD impediu a aprovação da reforma agrária no governo João Goulart, e o mesmo fez o PMDB na Assembleia Constituinte. Há dois anos, os ruralistas derrotaram o Planalto em todas as votações sobre o Código Florestal.
É difícil governar sem o centro: o PSD abandonou Getúlio em 1954, fez oposição a Jânio em 1961, rompeu com Jango em 1964. Sabotado pelo PMDB, Collor caiu em 1992.
Após a eleição, o presidente só tem duas opções: ter ou não ter maioria. Quem decidiu a parada foi o eleitor. Este reclama a todo instante que deseja mudar. Mas, quando é chamado a agir, prefere pedir outro prato de lentilhas ao fazendeiro.


Texto de Maurício Puls, na Folha de São Paulo. 

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

José Simão vê o momento atual do PSB

E os novelhos partidos? E o PSB do Eduardo Campos filiou dois socialistas convictos: Heráclito Fortes, do DEM, e Paulo Bornhausen, do DEM. Deu Em Merda. O PSB Deu em Merda!
O Heráclito Fortes é aquela almôndega suada. Que fala como velha comendo bolacha sem dentadura. E o Paulo Bornhausen é filho do velho Bornhausen, que tem cara de quem faz experiência em cérebro de macaco.
Os socialistas! O Partido Socialista Brasileiro está aceitando qualquer um, contanto que não seja socialista! Rarará.


Trecho da coluna de José Simão, o Macaco Simão, na Folha de São Paulo. 

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Seria a solução?


Algumas pessoas, inclusive um senador da República, estariam propondo acabar com os partidos políticos. Seria esta a solução?
Nos Estados Unidos da América, ao contrário do que se diz, existem vários partidos. Evidentemente que dois (Republicano e Democrata) são dominantes e dominam o sistema eleitoral nacional e o fazem porque criaram sistemas para dificultar o crescimento dos menores.
No Brasil a Constituição Federal, através do legislador constituinte, escolheu prestigiar o pluripartidarismo e o fez de forma acertada porque quando de sua elaboração não podemos nos esquecer que estávamos saindo de um duro e cruel sistema ditatorial que custou muito caro para muitos cidadãos brasileiros.
Gostaria de propor uma reflexão para você internauta que me acompanha aqui neste blog: se com o pluripartidarismo a situação política do Brasil está como está, imagine se tivéssemos que escolher apenas entre dois, como é nos EUA? Será que ficar subordinado à decisão, ideias e pensamentos de apenas dois grupos políticos não seria muito pior?
Dar oportunidade para todos, inclusive para o crescimento dos pequenos, é o espírito que paira no coração do brasileiro.
Assim está consagrado na Constituição brasileira em seu artigo 17:
Art. 17. É livre a criação, fusão, incorporação e extinção de partidos políticos, resguardados a soberania nacional, o regime democrático, o pluripartidarismo, os direitos fundamentais da pessoa humana e observados os seguintes preceitos:
I - caráter nacional;
II - proibição de recebimento de recursos financeiros de entidade ou governo estrangeiros ou de subordinação a estes;
III - prestação de contas à Justiça Eleitoral;
IV - funcionamento parlamentar de acordo com a lei.
Seria bom que o brasileiro pesquisasse antes de decidir, inclusive e principalmente no período eleitoral.
Assim votaríamos mais conscientes e de forma mais responsável.

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Cornucópia partidária


O projeto de lei que inibe a criação de novos partidos é um casuísmo? É claro que sim. A proposta veio à tona com chances de aprovação apenas porque beneficia a candidatura à reeleição de Dilma Rousseff.
A questão central, entretanto, é outra. Uma ou duas agremiações a mais ou a menos num oceano de 30 partidos não farão diferença. Se pretendemos tratar seriamente do problema da proliferação de legendas, precisaríamos conceber uma solução mais geral que ou reduziria drasticamente o total de siglas ou consagraria de vez a liberdade de associação.
Considerando que, numa democracia representativa, partidos deveriam ser um intermediário entre mandatários e a sociedade, definindo a linha de atuação política e as prioridades daquele grupo específico, 30 instituições são um rematado exagero. Especialistas como o cientista político Klaus von Beyme foram capazes de identificar apenas nove famílias de legendas, cobrindo um espectro que vai do comunismo ao conservadorismo, passando pelos libertários e pelos verdes.
Com muito mais agremiações do que espaços ideológicos a ocupar, não é um acaso que a maior parte dessas legendas não chegue nem perto de desempenhar as funções esperadas. Ao contrário, muitas delas atuam como caricaturas, ou partidos "de mentirinha", como definiu o presidente do STF, ministro Joaquim Barbosa. Reduzindo as negociações políticas a cargos e tempo de TV entremeadas por uma ou outra chantagem, elas mais predam o sistema do que com ele contribuem.
O triste nessa história é que, nos anos 90, o próprio Congresso havia acordado uma fórmula para reduzir os disparates, que era a cláusula de barreira. A liberdade de associação era preservada, mas apenas legendas com um mínimo de representatividade teriam acesso ao grosso das verbas e do tempo de TV. Em 2006 o STF lamentavelmente a derrubou.


Texto de Hélio Schwartsman, publicado na Folha de São Paulo.