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sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Juro que em 2023, ano dos meus 80 anos, largarei velhos costumes


Todo fim de dezembro, prometo a mim mesmo ser outra pessoa no ano que virá. Revejo os defeitos que me enxovalham a autoimagem e dificultam a minha existência.

Para não transformar a coluna de hoje num rosário de lamúrias, prezada leitora, vou me restringir aos defeitos publicáveis, não falarei daqueles que relego às catacumbas da consciência.

Meu pai era contador, dizia preferir o inferno depois da morte para ficar livre dos papéis. Talvez por traço genético, sempre tive problemas com a papelada, nem a internet me libertou dela. Quando um artigo científico ou texto literário impresso cai em minhas mãos, por irrelevante que pareça, coloco sobre a mesa de trabalho para ler ou reler mais tarde, mesmo sabendo que envelhecerá naquele local.

Se tivesse lido 10% dos livros que se acotovelam nas estantes e das revistas científicas empilhadas entre eles, seria um médico de notório saber e o homem culto que sempre desejei ser. As prateleiras abarrotadas no escritório de casa olham para mim como um anátema bíblico que vocifera: "Lembra-te homem: és ignorante e da ignorância jamais te libertarás".

Planejo, então, doar os livros adormecidos há décadas, comprados para atender a interesses que perdi ou que chegaram a mim porque me foram dados por pessoas queridas ou pela incapacidade de me separar deles. Apesar dos fracassos anuais em realizar essa tarefa, juro que agora será diferente.

A mesma dificuldade tenho com as roupas que disputam centímetro a centímetro o espaço no armário. Órfão de mãe desde a tenra infância, aprendi a pregar botões, a fazer pequenos reparos, a manter passadas as camisas e as calças e a engraxar os sapatos até o couro brilhar.

Eles me retribuem com a longevidade: tenho calças e camisas com 20, 30 anos e até mais. Muitas saíram de moda, são usadas quase nunca, mas permanecem ao alcance de meus olhos para deixar claro que sou um desses privilegiados que acumulam mais do que o necessário.

A despeito das tentativas infrutíferas dos anos anteriores, prometo que desta vez vou doar as roupas que passo meses sem vestir. Mas cada peça traz uma recordação: uma viagem, a pessoa que me presenteou, um momento de vida, a qualidade da confecção, a beleza da estampa ou outra desculpa qualquer para disfarçar o apego despropositado do acumulador.

Tenho mais amigos do que tempo para conviver com eles. Todo ano prometo visitá-los, convidá-los para vir em casa, sair para tomar cerveja. Promessas vãs, embora reiteradas toda vez que um deles se vai, acontecimento cada vez mais frequente à medida que envelhecemos, porque a vida é um palco em que o cenário muda a toda hora e os personagens se retiram um a um, condenando o espectador desatento à
perplexidade da solidão.

Cinquenta anos de medicina me ensinaram que o corpo é nosso bem mais precioso. Você, caríssimo leitor, perguntará: "O idiota levou meio século para descobrir o óbvio?". Claro que não, mas demorei mais do que devia para agir como quem adquiriu a consciência de que a atividade física é essencial para uma vida mais plena e, possivelmente, mais longa.

Comecei a correr maratonas quando fiz 50 anos. No início, quis provar a mim mesmo que se conseguisse completar 42 quilômetros, não me sentiria velho. Continuo a corrê-las com o mesmo objetivo e para evitar as condições patológicas que afligem homens da minha idade, manter a vitalidade para trabalhar e para as atividades que sempre tive.

A disciplina que dediquei aos treinamentos para ter corrido cerca de 25 maratonas permitiu que eu completasse a última delas em outubro passado, aos 79 anos. Apesar de reconhecer o privilégio de chegar a essa idade nessas condições, quando muitos de meus contemporâneos já se foram, enquanto outros ainda resistem, mas cheios de limitações, não estou satisfeito.

Você, leitora, vai me achar ridículo, absurdo, mas carrego a frustração de que o excesso de trabalho, a indisciplina e a preguiça nunca me permitiram fazer uma prova bem preparado.

Chego ao fim destruído, com ímpetos de deitar no asfalto e chorar de exaustão. Em 2023, farei 80 anos, pretendo treinar com a regularidade exigida para cruzar a linha de chegada ainda com disposição para continuar correndo. É, talvez eu seja ridículo mesmo.


Texto de Druazio Varella, na Folha de São Paulo

sábado, 23 de outubro de 2021

O mundo passa, Godard fica


Não se sabe a que ponto Jean-Luc Godard se deixou abalar pela morte, recente, de Jean-Paul Belmondo. Os dois surgiram juntos em "Acossado" (1960), filme que mudou suas vidas e, talvez, o cinema. Em fevereiro último, já morrera outro nome decisivo para a aura de "Acossado": o fotógrafo de divulgação Raymond Cauchetier. Foi o autor das imagens que todos ligamos ao filme e, só agora notamos, não estão na tela. Uma delas é o beijo de Jean Seberg no rosto de Belmondo. No filme, é um beijo que mal vemos, filmado à distância, do outro lado da rua. Na foto posada de Cauchetier, é uma cena para a eternidade.

A maioria dos colegas de Godard na Nouvelle Vague morreu: François Truffaut, em 1984; Georges Franju, em 87; Jacques Démy, em 90; Louis Malle, em 95; Claude Chabrol e Éric Rohmer, em 2010; Chris Marker, em 12; Alain Resnais, em 14; Jacques Rivette e Alexandre Astruc, em 16; Agnès Varda, em 19. Para não falar de pessoas tão importantes em sua vida: Henri Langlois, fundador da Cinemateca Francesa, em 1977; o produtor Georges de Beauregard, que o inventou como cineasta, em 84; seu fotógrafo Raoul Coutard, em 2016; Michel Légrand, em 19. E a fundamental, decisiva Jean Seberg, em 1979.

Entre suas mulheres e atrizes, Anne Wiazemsky, em 2017, e Anna Karina, em 19. Todos os críticos da revista Cahiers du Cinéma que ajudaram a construir o seu mito, assim como os dois brasileiros que mais o admiraram: Mauricio Gomes Leite, em 1993, e José Lino Grünewald, em 2000. O Cahiers também morreu várias vezes. E quem conhece Paul Gégauff, dândi e sedutor, em quem Godard baseou o Michel Poiccard de Belmondo em "Acossado"? Morreu em 1983, esfaqueado pela mulher.

Uma geração inteira se foi e Godard, aos 91, continua firme e filmando. O mundo já não lhe dá tanta atenção.

Mas Godard também nunca ligou para o mundo. Todas as causas que abraçou foram, no fundo, um abraço no cinema.


Texto de Ruy Castro, na Folha de São Paulo

sexta-feira, 30 de outubro de 2020

O tempo

 Carrego meus fantasmas

Dentro de um armário

Entalhado no peito

Eu sou o que tenho feito

Apesar do grande defeito,

De sonhar mais que o pássaro,

Que voa sem fazer cálculos.

Eu sou eu e os meus cacos

Uma caneca de louça sem asa

Uma latinha de pastilhas

Fotos de minhas filhas

Lembranças feito ilhas

De um futuro no passado,

O presente encarcerado,

Lobo depois das trilhas,

O olhar depois das chuvas.

Do blogue do Juremir Machado da Silva

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Solstício: chega a noite mais curta do ano, e a mais longa

Solstício: chega a noite mais curta do ano, e a mais longa

Noite de 21 a 22 de dezembro é o solstício: será a mais longa de 2015 no hemisfério norte, e a mais curta no hemisfério sul


O segundo solstício de 2015 será em 22 de dezembro (às 5h48, no horário peninsular espanhol, três horas à frente do horário brasileiro). Os solstícios são os momentos do ano nos qual o Sol alcança sua maior ou menor altura aparente no céu, e a duração do dia ou da noite é a maior do ano, respectivamente. Além disso, esse comportamento é inverso em cada hemisfério, por isso esse será o solstício de inverno no hemisfério norte, e de verão no hemisfério sul.

Assim é porque as estações dependem da inclinação do eixo de rotação daTerra em relação ao plano de sua órbita, e não da maior ou menor distância entre nosso planeta e o Sol. Por isso, as estações estão invertidas nos hemisférios, pois quando temos o dia mais longo em um (e, portanto, mais horas de radiação, e mais concentrada), sucede o oposto no outro.
Os solstícios não ocorrerem exatamente no mesmo dia e à mesma hora a cada ano porque o período orbital terrestre não é exato: o planeta leva 365,2425... dias para realizar um giro completo ao redor do Sol. Em grande parte isso é compensado mediante a introdução dos anos bissextos (2016, aliás, assim é), mas continuam existindo pequenas diferenças de horário que em ocasiões requerem um salto de um dia.
Apresentamos algumas questões extremas que podem ser ilustrativas. Por exemplo: o que aconteceria se o eixo de rotação da Terra fosse perpendicular ao plano de sua órbita? Ora, o Sol sempre sairia exatamente pelo leste e se poria exatamente a oeste, e as noites e os dias durariam sempre o mesmo. No caso da Terra, isso só ocorre dois dias por ano, os que chamamos de equinócios. Outra consequência notável é que não teríamos estações.
No entanto, a Terra está inclinada uns 23 graus e meio e, portanto, os dias e as noites se sucedem variando sua duração de forma progressiva. Nos equinócios, a duração do dia e da noite é exatamente igual, e o Sol sai exatamente pelo leste e se põe exatamente pelo oeste. Depois o Sol sairá mais ao norte ou ao sul, até alcançar uma posição extrema na qual nossa estrela parece parar e regressar de novo à posição original. Isso é o que se denomina solstício, do latim solstitiumou “Sol quieto”. O processo se repete de forma análoga no sentido oposto. É precisamente esse efeito o que permitiu a Eratóstenes determinar o raio da Terra
Em uma data tão definida estarão ocorrendo coisas curiosas no planeta. Na região ao norte do Círculo Polar Ártico não sairá o Sol, enquanto na região ao sul do Círculo Polar Antártico o Sol não se porá e permanecerá no céu girando ao redor do observador. Nos polos (de forma alternada) o Sol não sairá até o equinócio, sendo dia durante seis meses seguidos de outros seis meses de noite. Outro lugar menos frio, mas igualmente único, neste caso, é o Trópico de Capricórnio. Nele, o Sol passará exatamente pela vertical ao meio dia do próximo solstício, o que ocorrerá no Trópico de Câncer no solstício seguinte, dentro de seis meses.
Não é necessária altíssima tecnologia para determinar os solstícios e equinócios. Um pedaço de pau e umas pedras, além de nossa metódica observação do céu (o Sol, neste caso), são suficientes para estabelecer a data. As civilizações mais antigas (incluindo as extremamente isoladas, como pode ter sido a da ilha de Páscoa) já conheciam essas efemérides perfeitamente. Existiram festejos relacionados com eles em quase todas as civilizações. Há até quem proponha que na Idade da Pedra poderiam ter tido já esse conhecimento. A astronomia costuma estar relacionada com grande número de festividades em nossa cultura. Do mesmo modo que a Lua cheia marca as datas da Semana Santa e do Carnaval, pode ser que a noite de Natal ou a noite de São João estejam relacionadas com os solstícios, festas possivelmente herdadas de festividades pagãs. Será difícil confirmar ou desmentir esse ponto.
Permitiam-me aproveitar esta ocasião para desejar-lhes um feliz solstício e uma próspera nova órbita.

Texto de Alfred Rosenberg González, astrofísico, no El País

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Primavera começa com influência de massa de ar quente no RS

Primavera começa com influência de massa de ar quente no RS

Calor se intensifica em Porto Alegre e máxima chega a 34°C
O começo da primavera no Rio Grande do Sul – a nova estação inicia às 5h20min desta quarta-feira – terá influência de uma intensa massa de ar quente e seco que se expande a partir do centro do país. Municípios da Metade Norte e Oeste terão predomínio de sol e rápida elevação térmica com sensação de calor. Já em cidades da Metade Sul, sobretudo, na fronteira com o Uruguai a instabilidade mantém a presença das nuvens com risco de pancadas de chuva e temporais isolados. 

De acordo com a MetSul Meteorologia, pode chover forte, com grandes acumulados em poucas horas e risco de transtornos nesta terça-feira. Não se descarta a ocorrência de raio, vento e queda de granizo. 

Em Porto Alegre, a terça-feira será de sol e nuvens. As temperaturas devem variar entre 18°C e 34°C. 

Primavera será influenciada pelo El Niño


Influenciada pelo El Niño, a primavera deve ter chuva acima da média na maioria das regiões do Rio Grande do Sul. São prováveis períodos com chuva em grandes volumes, com risco até de cheia de rios, em que em poucos dias algumas cidades podem ter o dobro ou o triplo da média de chuva do mês inteiro, causando transtornos para a população. 

Além diso, esse é um período com maior frequência de tempestades, não raro severas com intensos vendavais e granizo. Há vários precedentes de tornados. Em 2015, com maior presença de umidade no Rio Grande do Sul e temperatura acima da média histórica na maior parte da estação, antecipa-se uma primavera tempestuosa com frequência acima do normal de temporais, com fortes ventos e granizo em diversas cidades. 

Mínimas e máximas pelo Estado
Porto Alegre 18°C / 34°C
Caxias do Sul 18°C / 29°C
Bagé 17°C / 26°C
Passo Fundo 19°C / 30°C
Santa Maria 20°C / 32°C
Uruguaiana 21°C / 28°C
Alegrete 19°C / 28°C
Livramento 17°C / 27°C
Rio Grande 17°C / 20°C
Santa Cruz 19°C / 32°C
Erechim 17°C / 29°C
Cruz Alta 18°C / 30°C
Santa Rosa 22°C / 36°C
Capão 18°C / 24°C

Reprodução do Correio do Povo

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Vida breve


"Vida intensa e breve, pensou a lebre, correndo sobre as ervas do mundo." Roubo essas linhas do poeta português José Agostinho Baptista porque elas são a trilha sonora dos meus dias. Ou, pelo menos, desses últimos anos.
Caminho para os 40. E, com uma nitidez arrepiante, sinto que o tempo acelera como nunca.
Explico: aos dez, aos 20, o tempo passava com um ritmo mais lento. O ano acadêmico era longo. As férias de verão, também. E os dias, cada dia, tinham minutos que duravam horas e horas que duravam semanas.
Subitamente, os dias encolheram. E, com os dias, as horas e as semanas. Como explicar o fenômeno?
Dois anos atrás, ao passar pela vitrine de um sebo em Nova York, deparei-me com um livro que prometia explicar as minhas inquietações.
Mas o tempo, sempre o tempo, impediu-me de anotar o título e o autor: atrasado para um jantar e na companhia de terceiros, continuei a caminhar --e a vitrine, afastando-se de mim, como se eu fosse um emigrante a bordo de um navio, vislumbrando a terra materna cada vez mais longe.
Para piorar as coisas, a noite ia alta, o sebo estava fechado --e eu regressava de madrugada para Lisboa. Nenhuma possibilidade de lá voltar. E a certeza de que o tempo continuaria a ceifar misteriosamente o meu tempo --e a privar-me da deliciosa lentidão do passado.
Contei todos esses episódios à alma caridosa que partilha os meus dias. E ela, com um talento de Sherlock Holmes, localizou o livro e o ofereceu a mim.
Escrito pelo psicólogo holandês Douwe Draaisma, o título é de uma literalidade que envergonha: "Why Life Speeds Up As You Get Older" ("por que motivo a vida acelera à medida que envelhecemos", Cambridge University Press, 277 págs.). Nem eu diria melhor.
Em rigor, a obra não lida apenas com a aceleração do tempo quando a idade avança. Trata-se de uma coleção de ensaios sobre o papel da memória (e do esquecimento) na forma como percebemos o passado e o futuro.
Mas o ensaio que dá título ao livro ilumina algumas das minhas perguntas porque Draaisma vai revisitando as teorias que a psicologia e as neurociências foram avançando para o fato. É impossível resumi-las todas nesta coluna. Mas duas mereceram a minha especial atenção.
A primeira foi exposta por Jean-Marie Guyau no século 19 e, no essencial, repetida ou intuída por literatos diversos --de Thomas Mann a Albert Camus, sem esquecer esse mestre do metrônomo que dá pelo nome de Marcel Proust.
O tempo acelera porque os nossos dias, tomados pelas rotinas próprias da vida adulta, surgem despojados da variedade dos verdes anos. Aos dez, aos 20, o nosso roteiro biográfico mudava. Constantemente. Imprevisivelmente.
As férias de verão eram longas porque eram cheias. O ano acadêmico era longo porque as aulas, os estudos, mas também o reencontro com os amigos e os estragos na companhia deles, faziam de cada dia uma refeição completa.
Aos 40, aos 50, a refeição torna-se repetitiva --casa, trabalho, casa. De tal forma que os dias nos parecem cópias uns dos outros. E, talvez por isso, concentrados e consumidos em um único sopro.
A explicação tem o seu interesse, escreve o autor, mas talvez as coisas sejam mais simples.
E uma segunda tese, que Douwe Draaisma elege como sua, diz-nos que o tempo acelera porque nós já não aceleramos como antigamente. Como o próprio escreve, o corpo corria mais rápido do que o rio do tempo; mas hoje ele se atrasa pelas margens.
Em rigor, o tempo não acelera; o tempo mantém-se rigorosamente igual. Nós é que não: organicamente falando, biologicamente falando, repetimos os mesmos gestos --mas anoiteceu, entretanto.
E anoiteceu mesmo: caminho pelas ruas de Londres e penso nas explicações do prof. Draaisma. Será que a minha vida rotineira precisa de alguma adrenalina suplementar?
Ou o envelhecimento do corpo é um fato --e a atitude mais inteligente é parar de correr atrás da criança que eu fui e que leva sempre vantagem sobre os meus passos mais lentos?
São perguntas que se dissipam no frio. Até porque há presentes de Natal para comprar.
Curioso: Natal. Falta um mês para celebrar a data e eu poderia jurar que ainda ontem estava a celebrar.


Texto de João Pereira Coutinho, na Folha de São Paulo

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Com -4,6ºC em Ausentes, RS volta a ter marcas negativas

Com -4,6ºC em Ausentes, RS volta a ter marcas negativas

Porto Alegre registrou a temperatura mais baixa do ano com 3ºC



O Rio Grande do Sul registrou nesta sexta-feira marcas negativas pelo nono dia no ano, segundo a Metsul Meteorologia. A mínima do Estado ocorreu em São José dos Ausentes, nos Campos de Cima da Serra, onde os termômetros marcaram -4,6ºC. 

Santa Rosa registrou a segunda temperatura mais baixa do Estado: -3ºC. Em Canela, na Serra gaúcha, os termômetros chegaram a -2,6ºC e em Santana do Livramento, André da Rocha e Quaraí, na Fronteira Oeste, as mínimas variaram de -1,8ºC a -1,6C. 

Em Vacaria a mínima foi de -0,9ºC, em Alegrete, -0,7ºC e em Santa Maria -0,6%. Em Erechim, no Norte do Estado, a temperatura também baixou, às 10h os termômetros ainda marcavam 2ºC e foi registrada a segunda geada forte consecutiva do ano. Já em Porto Alegre a mínima foi de 3ºC, segundo o sistema Metroclima a mais baixa do ano. 


Reprodução do Correio do Povo.

terça-feira, 20 de maio de 2014

Aos 70 anos, Mick Jagger se torna bisavô


Aos 70 anos, Mick Jagger se torna bisavô

Neta do cantor, Assisi deu à luz uma menina


O veterano do rock Mick Jagger se tornou bisavô. Segundo o jornal britânico “Daily Mail”, a neta do líder dos Rolling Stones, Assisi, de 21 anos, deu à luz uma menina nesta segunda-feira.  O nome do bebê ainda não foi divulgado, assim como as fotos da criança.  

O cantor,que é pai de sete filhos, deve ser avô novamente em breve. Sua filha Jade Jagger, a mãe de Assisi, está grávida do marido Adrian Fillary, e vai ter o terceiro filho aos 42 anos. 


Reprodução do Correio do Povo

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

A fila não anda

Mick Jagger, líder dos Rolling Stones, fez 70 anos. Quando eles surgiram, em 1962 ou 63, o Reino Unido ainda estava na idade do gelo. O romance "O Amante de Lady Chatterley", de D. H. Lawrence, de 1928, continuava proibido. A pílula anticoncepcional já existia, mas ainda não chegara às farmácias. Homossexualismo era crime. E o "hit parade" inglês tocava xaropes como "Oh! Carol", com Neil Sedaka; "What Now My Love", com Gilbert Bécaud; e "I Can't Stop Loving You", com Ray Charles. Os londrinos tropeçavam em mamutes mortos nas calçadas.
Para os jovens que os ouviam pela primeira vez, os Stones eram um grito de rebeldia contra tudo o que seus pais --os coroas-- representavam. E não era só a música ou o barulho, mas os penteados, as roupas, o comportamento, a "atitude". Comparados aos Stones, os Beatles, que tinham nascido pouco antes, eram rapazes de família, com seus terninhos sem gola, gravatas com prendedor e botinhas engraxadas. Os Stones é que eram o bicho, temi- dos pelos mais velhos.
Mas a fila anda. Uma fã de primeira hora de Mick Jagger teria, digamos, 20 anos em 1963. Isso foi há 50 anos, com o que, hoje, ela terá 70. A filha dessa mulher, nascida naquele mesmo ano, estará com 50 e já lhe terá dado uma neta. Esta neta, nascida em 1983, acaba de fazer 30 e, por sua vez, também tem uma filha, que está agora com 10 anos. Donde esta última menina é bisneta daquela fã original de Mick Jagger. Para ele, deve ser chocante pensar que suas primeiras fãs, as gostosuras de minissaia e longos cabelos escorridos que se atiravam aos seus pés, transformaram-se em... bisavós.
Ou não. O próprio Mick, aos 70, também deve usar óculos de leitura, fazer exame de próstata e controlar o ácido úrico. Mas continua a se ver e a ser visto como sinônimo de rebeldia.
Pensando bem, a fila não anda.


Texto de Ruy Castro, na Folha de São Paulo

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Cidade na Sibéria bate recorde histórico de calor com 32ºC

A cidade russa de Norilsk, que fica na região siberiana de Krasnoyarsk, bateu neste fim de semana o recorde histórico de calor ao alcançar 32ºC de temperatura, informou nesta segunda-feira (22) o serviço de imprensa da região.
"No sábado, o termômetro alcançou 32 graus [Celsius], o máximo em toda a história das observações meteorológicas em Norilsk desde 1972", precisou um comunicado.
Esse registro superou em um décimo o recorde anterior alcançado em julho de 1979, acrescentou o texto.
As temperaturas vão oscilar entre os 30 e 32 graus Celsius até a próxima sexta-feira (26), enquanto a temperatura média no verão é de 17,3 graus Celsius, segundo a norma climática para esta região ártica.
Norilsk, com temperaturas que no inverno alcançam os 50 graus negativos e ventos de até 25 metros por segundo, é considerada uma das cidades mais contaminadas no mundo pelas explorações mineiras que existem nessa zona.
Enquanto, a onda de calor que chegou em meados de junho a algumas regiões da zona europeia da Rússia como Lipetsk, Sarátov, Ulianovsk e Voronej cedeu perante um ciclone com chuvas e temperaturas em torno dos 14ºC.

Notícia da EFE, no UOL.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Tempo fujão


"Tempus fugit"

Depois de nos privar de Plutão, que teve sua planetariedade cassada em 2006, cientistas agora ameaçam bagunçar o tempo.
Pretendem eliminar os segundos bissextos ocasionalmente introduzidos no calendário para fazer com que o tempo dos relógios atômicos (oficialmente, 1 segundo equivale a 9.192.631.770 ciclos de radiação emitidos pelo césio-133) não se divorcie de vez do tempo astronômico, em que o segundo vale 1/86.400 do dia.
Até os anos 60, a astronomia era a guardiã absoluta do tempo, mas aí descobrimos que o planeta é pouco pontual: a velocidade da rotação terrestre atrasa um número variável de milissegundos a cada ano.
Se os segundos corretivos forem de fato eliminados -a decisão foi adiada para 2015-, o tempo se tornará mais abstrato. Não dirá mais respeito à noite, ao dia, às estações e aos anos.
Os cientistas, é claro, têm suas razões. O problema é que nossos corações são insensíveis a elas. O tempo encerra uma dimensão psicológica à qual não podemos escapar.
Nas "Confissões", santo Agostinho vislumbrou o tamanho da encrenca: "Se nada sobreviesse, não haveria tempo futuro, e se agora nada houvesse, não existiria o tempo presente. De que modo existem aqueles dois tempos -o passado e o futuro-, se o passado já não existe e o futuro ainda não veio? Quanto ao presente, se fosse sempre presente, e não passasse para o pretérito, já não seria tempo, mas eternidade".
Não é por acaso que, além de Agostinho, vários filósofos se apressaram a concluir que o tempo não passa de uma ilusão. Mesmo que ele seja uma realidade ontológica, como querem os físicos, continua despertando perplexidades e até paixões.
Nem toda ciência, filosofia e poesia do mundo nos fazem deixar de lamentar o passado e temer o futuro. Quem traduziu bem esse sentimento foi Virgílio: "Sed fugit interea, fugit irreparabile tempus" (mas ele foge: foge irreparavelmente o tempo).


domingo, 1 de janeiro de 2012

Uma certeza, só uma certeza


Um ditador deposto, marcas no rosto
Um gosto amargo na boca
Uma certeza, só uma certeza
Da próxima vez, só uísque escocês

(...)

Um ditador deposto, marcas no rosto
Um gosto amargo na boca
E a certeza de que o último dia de dezembro
É sempre igual ao primeiro de janeiro


Estes versos são trechos da canção "Anoiteceu em Porto Alegre", dos Engenheiros do Hawaii, visto no Letras Terra.