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sábado, 24 de novembro de 2012

Estados Unidos invadiram computadores da presidência francesa, diz jornal


Ao contrário da administração americana, o governo francês não desmentiu formalmente as afirmações do “L’Express”, na quarta-feira (22), de que teria havido uma invasão americana aos computadores da presidência francesa. A porta-voz do governo, Najat Vallaud-Belkacem, se contentou em assinalar que não possuía informações precisas, acrescentando: “Não creio que tenhamos qualquer preocupação que seja”.
Fontes diplomáticas afirmam que a França está aguardando por explicações do governo americano. Em sua edição publicada na quarta-feira, o semanário afirma que em maio, alguns dias antes do segundo turno da eleição presidencial francesa, as redes informáticas do Palácio do Eliseu havia sido hackeadas, permitindo que intrusos obtivessem “anotações secretas e planos estratégicos”.
O ciberataque havia sido revelado já em julho em um artigo do jornalista Jean Guisnel publicado pelo jornal “Le Télégramme”. Mas o “L’Express” apontou seu autor. As conclusões dos ciberinvestigadores do Estado francês, “com base em um corpo de evidências, convergem para o mais antigo aliado da França: os Estados Unidos”, escreve a revista, referindo-se a “fontes diversas” não identificadas.
Os piratas contataram pelo Facebook colaboradores do Eliseu, declararam-se como seus “amigos” e depois os convidaram a se conectar a uma página falsa “intranet” da presidência para obter seus nomes de usuários e senhas, conta o semanário. Depois de penetrarem dessa forma no sistema, eles introduziram ali um spyware que lhes permitiu captar dados contidos nos computadores de vários colaboradores de Nicolas Sarkozy, entre eles Xavier Musca, então secretário-geral. Os “rastros” deixados por esse programa lembram o “worm” Flame, que somente os Estados Unidos e Israel dominariam, explica o jornal que não aponta explicitamente o governo americano.

Atraso francês


Em Washington, o diretor de comunicações do Ministério da Segurança Interna, Matthew Chandler, “desmentiu categoricamente” que os Estados Unidos tenham “participado de um ciberataque contra a França”. “A França é um de nossos aliados mais próximos. Nossa cooperação no compartilhamento de informações, na aplicação da lei e na ciberdefesa nunca foi tão estreita como agora, e ela continua sendo essencial para combater eficazmente a ameaça do terrorismo”, afirmou ele ao “Le Monde”. Essa negação também diria respeito à agência de contraespionagem cibernética criada em 2009 por Barack Obama (Uscybercom) que depende do Pentágono? Absolutamente, garantiu o porta-voz.
Os especialistas especulam sobre o objetivo e as razões dessa possível invasão. Preocupação em certos círculos de Washington sobre as intenções do aliado francês nas vésperas da ascensão de um socialista ao poder? Vontade de saber mais sobre os mercados conquistados pela França? Erro que acabou infectando computadores de aliados?
Em Paris, o senador Jean-Marie Bockel, autor de um relatório sobre a cibercriminalidade publicado em julho e preocupado com o atraso francês, acredita que esse caso “pode acelerar a conscientização” da França sobre a realidade das ameaças.
Reportagem de Philippe Bernard e Corine Lesnes, no Le Monde, reproduzida no UOL. Tradutor: Lana Lim

terça-feira, 15 de março de 2011

Bahrein é ocupado por forças sauditas

Bahrein é ocupado por forças sauditas

Oposição bareinita, que realiza protestos antirregime há mais de um mês, diz que ação é 'guerra não declarada'

Maioria de xiitas do país exige reformas políticas do regime, cuja família real é sunita, bem como nos vizinhos sauditas

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

Numa manobra vista pela oposição bareinita como uma invasão que pode levar a uma "guerra não declarada", mais de mil soldados da Arábia Saudita e 500 policiais dos Emirados Árabes Unidos entraram ontem no território do Bahrein.
Com mais de 150 veículos blindados, a ação ocorreu a pedido da família real do Bahrein, de origem sunita, como reforço à repressão dos protestos da maioria xiita por democracia e pela saída do rei Hamad bin Isa al Khalifa.
Na praça Pérola, no centro da capital Manama, milhares gritavam "não à ocupação", enquanto as tropas cruzavam a ponte que liga a Arábia Saudita ao Bahrein.
Embora a força militar atue sob a égide do Conselho de Cooperação do Golfo (CGC), do qual o Bahrein é membro e que inclui ainda o Qatar, o Kuait e Omã, a oposição bareinita viu a ação como uma ocupação militar que "coloca em perigo o povo desarmado".

GUERRA DE FORÇAS
O governo dos EUA evitou criticar a ação e disse não se tratar de uma invasão, embora a Casa Branca tenha reiterado que defende o diálogo político como a melhor maneira para lidar com a onda de protestos no país.
Washington negou ainda que tivesse endossado a ação da Arábia Saudita -um de seus maiores aliados regionais e contraponto à presença do Irã na região-, mas admitiu ter sido "informada".
Em Teerã, a Chancelaria iraniana defendeu o direito de protesto da maioria xiita bareinita e chamou o país a impedir a intervenção externa, que "deve somente complicar a situação".
A maioria das dinastias que governam os países do golfo Pérsico é sunita, e o Irã, país persa de maioria xiita, tem dado demonstrações de incentivo aos manifestantes bareinitas.
Governistas no Bahrein acusam os xiitas que tomaram parte dos protestos de agir em nome de Teerã, que disputa com Riad a ascendência política e econômica sobre a região.
De posse das maiores reservas de petróleo do planeta, a Arábia Saudita produz mais de 8 milhões de barris por dia e é também o maior exportador e produtor entre os membros da Opec (Organização dos Países Produtores de Petróleo).
Preocupado com a possibilidade de que a revolta no país vizinho incentive sua própria minoria xiita a fazer protestos semelhantes, a Arábia Saudita optou pela ação militar vista por analistas como uma possível ascensão de "policial regional" em meio à onda de revoltas em países do Oriente Médio e do Norte da África.


Notícia da Folha de São Paulo, de 15 de março de 2011