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terça-feira, 15 de abril de 2014

Brasil concentra metade das mortes de ecologistas, afirma ONG

Brasil concentra metade das mortes de ecologistas, afirma ONG


País é o mais perigoso do mundo para ativistas, com 448 óbitos de 2002 a 2013

Mais de 900 pessoas morreram desde 2002 na defesa do ambiente, metade delas no Brasil, mas apenas dez foram condenadas pelos crimes, afirma um relatório da ONG britânica Global Witness divulgado nesta terça-feira em Londres.

As disputas por terra aumentaram e por consequência a violência. No total, 908 pessoas morreram entre 2002 e 2013 em 35 países, segundo o documento da Global Witness, publicado poucos meses depois do 25º aniversário do assassinato do ativista Chico Mendes. O ano com mais mortes no período foi 2012, com 147. Em apenas 1% dos crimes, os responsáveis foram detidos, julgados e condenados.

O Brasil é o país mais perigoso do mundo para os ativistas, com 448 mortes. Em seguida aparecem Honduras, com 109, e Filipinas, com 67. "Isto mostra que nunca foi tão importante proteger o meio ambiente como agora, e que nunca havia sido tão letal", disse Oliver Courtney, da Global Witness, que se define como uma organização que deseja "mudar o sistema expondo os interesses econômicos que se escondem por trás dos conflitos, da corrupção e da destruição do meio ambiente".

"Não há sintomas mais evidentes da crise no meio ambiente no mundo que o aumento de assassinatos de pessoas comuns, que defendem o direito a suas terras. No entanto, o problema, que cresce rapidamente, passa em grande parte despercebido e os criminosos quase sempre saem impunes", disse Courtney.

Brasil

O documento tem um capítulo dedicado a Brasil. O elevado número de mortes é atribuído em parte ao "modelo de propriedade da terra, que está entre os mais concentrados e desiguais do mundo".

"Apesar do forte crescimento econômico parcialmente sustentado pelas exportações agroindustriais, a maioria da população do Brasil continua sendo pobre e a maior parte de sua comida é produzida em propriedades pequenas ou média", afirma o documento. "Isto leva os agricultores de subsistência e os grupos indígenas a entrar em conflito com proprietários poderosos e bem conectados pelos direitos legais sobre florestas e terras", completa o relatório.

A luta pela Amazônia, por sua terra e por sua madeira, é responsável pela maioria das mortes de ativistas. "Primeiro chegam os trabalhadores ilegais e levam a madeira. A segunda indústria é a do gado, depois a a soja. Este é o ciclo natural da fronteira amazônica", afirma no documento Natalia Viana, da ONG brasileira Pública.

A Global Witness afirma que o número de mortes pode ser maior, mas que mesmo assim o relatório apresenta uma ideia aproximada do grau de violência sofrido pelos ativistas. Segundo o documento começa com intimidações e até mesmo acusações, como as sofridas pelos grupos indígenas quando são recriminados por prejudicar o desenvolvimento de uma região na defesa de suas terras.

A ONG, fundada em Londres em 1993, exige medidas. "Começando por uma resolução do Conselho de Direitos Humanos da ONU especificamente dirigida à crescente ameaça que sofrem os defensores da terra e do meio ambiente".


Fonte: Correio do Povo. 

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Cresce a demanda mundial pelo carvão


Cresce a demanda mundial pelo carvão

Disponibilidade e custo do carvão o deixam atrativo

Por PETER GALUSZKA

O carvão continua sendo um componente crítico da matriz energética mundial, apesar de sua imagem negativa. Na China, a demanda por carvão em 2010 provocou um engarrafamento de 120 quilômetros formado por mais de 10 mil caminhões carregando suprimentos para a Mongólia Interior (região autônoma chinesa).
A Índia, que depende do carvão para 55% de sua energia elétrica, luta para manter os suprimentos e está aumentando as importações. O mesmo vale para a Europa, onde o gás natural é mais caro, gerando demanda por mais importações de carvão dos EUA.
O carvão pode parecer um estranho candidato em um mundo onde as fontes de energia renovável, como a solar, a eólica e a hidrelétrica, chamam a atenção. Uma heresia para os ambientalistas, porque gera muita poluição, o carvão ainda tem as vantagens inegáveis de estar amplamente disponível e ser fácil de transportar e de queimar.
Mas sua maior atração é o baixo custo. Segundo muitas estimativas, queimar carvão ainda custa cerca de um terço do valor de energias renováveis.
O carvão facilmente supre a demanda básica de eletricidade dos consumidores, sem interrupção. O mesmo acontece com a energia nuclear, mas esta ainda sofre as consequências do desastre de março de 2011 na central de Fukushima Daichi, no Japão.
A demanda por carvão deverá alcançar 8,1 bilhões de toneladas até 2016, contra 7,2 bilhões de toneladas neste ano, com a maior parte da nova demanda vinda da China, segundo a companhia de carvão Peabody Energy. Em quatro anos, a China deverá ganhar o equivalente a 160 novas usinas movidas a carvão, além das 620 que operam hoje. A Índia acrescentará 46.
Além da grande demanda por carvão térmico, que é queimado em usinas de energia, o uso de carvão siderúrgico (o coque), usado nos altos-fornos, também deverá mais que duplicar na China, para cerca de 1,7 bilhão de toneladas em 2016, enquanto as siderúrgicas do país produzem mais aço para automóveis, arranha-céus e produtos de exportação, segundo um estudo da Peabody.
O coque terá demanda crescente em outros centros produtores de aço, como o Brasil e a Índia, levando as empresas a explorar novas reservas em lugares como Botsuana, Mongólia e Moçambique.
Ao todo, o uso do carvão deverá aumentar 50% até 2035, diz Milton Catelin, executivo-chefe da Associação Mundial do Carvão, em Londres. "No ano passado, o carvão representou 30% da energia mundial. Esta foi a mais alta porcentagem atingida desde 1969", disse.
Dentro de um ou dois anos, o carvão vai superar o petróleo como o principal combustível do planeta, prevê Catelin.
Por enquanto, o carvão parece ter evitado um sério empecilho potencial para sua utilização: os acordos internacionais que restringem as emissões de gases do efeito estufa. Até agora, os acordos para evitar a mudança climática foram ineficazes.
A China pretende colocar equipamentos de redução de emissões de carbono em novas usinas.
Mas a China e outros grandes produtores de carvão ainda têm um longo caminho a seguir em segurança de minas. Em média, cerca de 2.500 mineiros de carvão chineses morrem em acidentes todos os anos. Autoridades da indústria dizem que a segurança vai melhorar com o desenvolvimento de novas tecnologias.
Analistas do setor estão procurando novas fontes de carvão, notadamente o coque. A Shenhua Energy, da China, a Peabody Energy e outras empresas japonesas, russas e sul-coreanas são as principais interessadas em desenvolver o depósito de Tolgoi, na Mongólia.
Grandes planos de exportação estão em curso na Colômbia e na África do Sul. O Grupo Abhijeet da Índia tem um novo contrato de US$ 7 bilhões para o "carvão vapor" de Kentucky e da Virgínia Ocidental.
Mas os planos de expansão enfrentam desafios. Na Mongólia, os depósitos estão em áreas remotas e em condições climáticas extremas. A África do Sul tem tendência a inquietações trabalhistas.
A Austrália é o maior exportador de carvão do mundo, mas novos regulamentos poderão aumentar seus preços, diz Jimmy Brock, o principal diretor operacional da Consol Energy, sediada em Pittsburgh, na Pensilvânia.
Os reguladores australianos temem que a Grande Barreira de Recifes possa ser danificada pela passagem de navios. Os portos também estão sujeitos a danos de tempestades e inundações.
As companhias de carvão americanas querem exportar o produto das minas de Wyoming e Montana, mas não há como despachar o carvão. Planos de enviar o minério a 2.400 quilômetros de distância por trem para cinco portos planejados no noroeste do Pacífico e no Canadá enfrentam intensa oposição ambientalista.
Mas, em longo prazo, o futuro do carvão depende da China e da Índia. Suas perspectivas parecem excelentes, principalmente porque ele é mais barato que seus concorrentes.


terça-feira, 8 de novembro de 2011

Dilemas entre poupar e ser ecologicamente correto

Poupar dinheiro? Sim. Poupar o planeta? Não neste instante

Por STEVEN KURUTZ

Em agosto, quando precisou trocar o teto da sua casa, em Toronto, por causa de goteiras, Lloyd Alter contrariou suas convicções ambientais.
"Durante anos eu disse que instalaria um teto de metal reflexivo porque isso contribui para a redução do calor e dos gastos energéticos durante o verão", disse o arquiteto Alter, 58, que escreve sobre design sustentável no site Treehugger. Na hora H, no entanto, ele comprou asfalto.
Telhas de asfalto são menos eficientes na reflexão dos raios solares, e ainda por cima são um derivado do petróleo. Mas são bem mais baratas: o novo telhado de Alter custou cerca de US$ 12 mil; o teto metálico provavelmente teria custado o dobro.
Muitos consumidores com preocupações ambientais enfrentam esse choque de realidade hoje em dia. E, como Alter, a maioria está cortando seus gastos com vários itens, especialmente os produtos ecológicos, que normalmente são mais caros que seus equivalentes não ecológicos.
Ao mesmo tempo, atividades como cultivar e enlatar alimentos, criar frangos e fazer as próprias roupas e outros itens domésticos são vistas atualmente como formas de economizar dinheiro sem trair os valores ambientais.
Após passar anos comprando produtos de limpeza de empresas ambientalmente corretas como a Method e a Seventh Generation, o blogueiro David Quilty, de Santa Fé, no Novo México, concluiu que não tinha mais como arcar com esse custo, e passou a limpar sua casa com uma solução à base de vinagre. Ele gasta US$ 0,25 por frasco, em vez de US$ 3 a US$ 5 pelo produto pronto.
"Tenho de priorizar os meus gastos, como tanta gente atualmente", disse Quilty, 39, que ganha a vida com seu blog, mas viu o faturamento publicitário diminuir cerca de um terço nos últimos seis meses.
A mesma mudança de foco é evidente em outros blogs ambientais. Alter diz notar isso diariamente no Treehugger.
"Se você viesse ao site há quatro anos, antes da recessão, viria diariamente uma publicação sobre uma nova camisa ou sandálias feitas com bambu. Agora praticamente não fazemos mais essas coisas, porque as pessoas não têm dinheiro para comprar."
Jill Fehrenbacher, 34, criadora e editora-chefe do blog de design sustentável Inhabitat, disse que também reduziu os artigos sobre produtos, algo que os leitores praticamente exigiram.
"Nos últimos anos, vimos uma verdadeira reação anticonsumo", afirmou ela. A indústria "verde" se ressente disso. Laura Batcha, vice-presidente executiva da Associação do Comércio Orgânico, disse que esse setor disparou nos últimos oito anos, com um faturamento que saltou de US$ 9 bilhões para US$ 29 bilhões.
Mas, segundo ela, o ritmo anual de crescimento, que antes era de 15% a 20%, caiu para menos de 6% em 2010. Para a dona de casa Erin Peters, 32, o "faça você mesmo" foi uma resposta a algo que ela imaginava ser uma dificuldade financeira temporária.
Seu marido foi transferido pela empresa em 2008 de Washington para a Carolina do Norte e, durante um tempo, a família precisou se dividir entre continuar pagando o financiamento de um imóvel e arcar com o aluguel de outro. Um ano depois, a casa de Washington foi vendida.
Naquele período, suas idas às compras adquiriram conotações de um drama moral liberal. "Eu não podia nos endividar mais", disse Peters, 32. "Mas eu me sentia culpada se eu não comprava os produtos ecológicos que vínhamos usando."
Recentemente, houve outro revés: o aumento do plano de saúde, privando a família de mais algumas centenas de dólares mensais no seu orçamento.
Isso significou o fim dos produtos orgânicos no carrinho de compras, ao menos por enquanto. A família também está alugando uma casa menor, de onde o marido e os três filhos podem ir a pé ao trabalho e à escola.
Peters também começou a cultivar e enlatar legumes, e a comprar roupas em brechós. Apesar de renunciar a coisas como produtos de limpeza ecológicos e alimentos orgânicos, Peters considera estar vivendo de forma mais sustentável do que antes. "Acho que a economia forçou as pessoas a serem mais 'verdes'", disse. "Mesmo que elas não pretendessem."