Mostrando postagens com marcador poluição. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador poluição. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

Poluição de Nova Déli ultrapassa a de Pequim

Poluição de Nova Déli ultrapassa a de Pequim
Por GARDINER HARRIS

NOVA DÉLI - A poluição atmosférica de Pequim recentemente estava tão ruim que o governo emitiu alertas sanitários urgentes e fechou quatro vias expressas importantes, levando moradores em pânico a comprar filtros de ar e usar máscaras. Enquanto isso, em Nova Déli, onde a espessa névoa poluente era, conforme algumas medições, ainda mais perigosa, havia poucos sinais de alarme.
Embora Pequim, na China, tenha a fama de ter um dos ares mais poluídos do planeta, um exame das cifras diárias de poluição colhidas por ambas as cidades sugere que o ar de Nova Déli, na Índia, está, com mais frequência do que em Pequim, mais carregado de partículas perigosas.
A atmosfera indiana está entre as piores do mundo. E crescem os indícios de que os indianos pagam mais caro do que praticamente qualquer outro povo pela poluição. Um estudo recente mostrou que os indianos têm os pulmões mais fracos do planeta, com bem menos capacidade do que os pulmões chineses. Os pesquisadores estão começando a suspeitar que a mistura indiana de ar poluído, saneamento ruim e água contaminada faz do país um dos mais perigosos do mundo para os pulmões.
A Embaixada dos EUA em Pequim emitiu alertas em meados de janeiro, quando uma medição do nocivo material particulado fino conhecido como PM 2,5 ultrapassou a marca de 500, aproximando-se do máximo da escala. Isso se refere a partículas com menos de 2,5 micrômetros de diâmetro, que supostamente constituem o maior risco para a saúde, por penetrarem profundamente nos pulmões.
Mas, nas três primeiras semanas deste ano, o pico diário médio da leitura do material particulado fino do Punjabi Bagh, serviço de monitoramento que costuma ter resultados inferiores aos de outros serviços, era de 473, mais do que o dobro da média de Pequim, que foi de 227. Apenas uma vez nessas três semanas o pico diário das partículas finas em Nova Déli ficou abaixo de 300, nível que equivale a mais de 12 vezes o limite de exposição recomendado pela Organização Mundial da Saúde.
O mais preocupante, talvez, seja que os níveis máximos diários de poluição por partículas em Déli estejam neste ano 44% superiores ao ano passado. "Sempre me intrigou que o foco esteja constantemente na China e não na Índia", disse o médico Angel Hsu, do programa de medição de desempenho ambiental do Centro Yale para o Direito e a Política Ambiental, em Connecticut. "A China percebeu que não pode se esconder atrás de sua opacidade de costume, ao passo que a Índia não é pressionada para liberar dados melhores."
A Índia tem a maior taxa mundial de mortalidade por doenças respiratórias crônicas e mais mortes por asma do que qualquer outra nação, de acordo com a OMS.
A poluição por partículas finas é associada a mortes prematuras, ataques cardíacos, derrames e insuficiência cardíaca. Em outubro, a OMS declarou que ela causa câncer de pulmão. Em novembro, durante as negociações climáticas globais em Varsóvia, a Índia e a China resistiram a aceitar limites para a poluição.
Frank Hammes, da empresa suíça IQAir, fabricante de filtros de ar, disse que o faturamento da companhia é centenas de vezes maior na China do que na Índia. "Na China, as pessoas estão extremamente preocupadas com o ar, especialmente em torno das crianças pequenas", disse ele. "Não há a mesma preocupação na Índia."
A função pulmonar relativamente ruim dos indianos já foi reconhecida há muito tempo, mas os pesquisadores supuseram que a diferença era genética. Aí, em 2010, um estudo concluiu que os filhos de imigrantes indianos que nasceram e foram criados nos EUA apresentavam uma função pulmonar muito melhor do que os nascidos e criados na Índia. "Não é a genética, é principalmente o ambiente", disse a médica MyLinh Duong, da Universidade McMaster, em Hamilton, no Canadá.
Em um estudo publicado em outubro, Duong comparou exames pulmonares feitos com 38.517 não fumantes saudáveis de 17 países. A função pulmonar dos indianos foi disparada a mais baixa.
Annat Jain, investidor privado que voltou à Índia em 2001, depois de passar 12 anos nos EUA, disse que seu pai morreu no ano passado de insuficiência cardíaca agravada por problemas respiratórios. Agora, sua filha de quatro anos precisa receber tratamento respiratório duas vezes por dia. "Mas, sempre que saímos do país, voltamos a respirar normalmente."


Reprodução do The New York Times, na Folha de São Paulo.

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Cresce a demanda mundial pelo carvão


Cresce a demanda mundial pelo carvão

Disponibilidade e custo do carvão o deixam atrativo

Por PETER GALUSZKA

O carvão continua sendo um componente crítico da matriz energética mundial, apesar de sua imagem negativa. Na China, a demanda por carvão em 2010 provocou um engarrafamento de 120 quilômetros formado por mais de 10 mil caminhões carregando suprimentos para a Mongólia Interior (região autônoma chinesa).
A Índia, que depende do carvão para 55% de sua energia elétrica, luta para manter os suprimentos e está aumentando as importações. O mesmo vale para a Europa, onde o gás natural é mais caro, gerando demanda por mais importações de carvão dos EUA.
O carvão pode parecer um estranho candidato em um mundo onde as fontes de energia renovável, como a solar, a eólica e a hidrelétrica, chamam a atenção. Uma heresia para os ambientalistas, porque gera muita poluição, o carvão ainda tem as vantagens inegáveis de estar amplamente disponível e ser fácil de transportar e de queimar.
Mas sua maior atração é o baixo custo. Segundo muitas estimativas, queimar carvão ainda custa cerca de um terço do valor de energias renováveis.
O carvão facilmente supre a demanda básica de eletricidade dos consumidores, sem interrupção. O mesmo acontece com a energia nuclear, mas esta ainda sofre as consequências do desastre de março de 2011 na central de Fukushima Daichi, no Japão.
A demanda por carvão deverá alcançar 8,1 bilhões de toneladas até 2016, contra 7,2 bilhões de toneladas neste ano, com a maior parte da nova demanda vinda da China, segundo a companhia de carvão Peabody Energy. Em quatro anos, a China deverá ganhar o equivalente a 160 novas usinas movidas a carvão, além das 620 que operam hoje. A Índia acrescentará 46.
Além da grande demanda por carvão térmico, que é queimado em usinas de energia, o uso de carvão siderúrgico (o coque), usado nos altos-fornos, também deverá mais que duplicar na China, para cerca de 1,7 bilhão de toneladas em 2016, enquanto as siderúrgicas do país produzem mais aço para automóveis, arranha-céus e produtos de exportação, segundo um estudo da Peabody.
O coque terá demanda crescente em outros centros produtores de aço, como o Brasil e a Índia, levando as empresas a explorar novas reservas em lugares como Botsuana, Mongólia e Moçambique.
Ao todo, o uso do carvão deverá aumentar 50% até 2035, diz Milton Catelin, executivo-chefe da Associação Mundial do Carvão, em Londres. "No ano passado, o carvão representou 30% da energia mundial. Esta foi a mais alta porcentagem atingida desde 1969", disse.
Dentro de um ou dois anos, o carvão vai superar o petróleo como o principal combustível do planeta, prevê Catelin.
Por enquanto, o carvão parece ter evitado um sério empecilho potencial para sua utilização: os acordos internacionais que restringem as emissões de gases do efeito estufa. Até agora, os acordos para evitar a mudança climática foram ineficazes.
A China pretende colocar equipamentos de redução de emissões de carbono em novas usinas.
Mas a China e outros grandes produtores de carvão ainda têm um longo caminho a seguir em segurança de minas. Em média, cerca de 2.500 mineiros de carvão chineses morrem em acidentes todos os anos. Autoridades da indústria dizem que a segurança vai melhorar com o desenvolvimento de novas tecnologias.
Analistas do setor estão procurando novas fontes de carvão, notadamente o coque. A Shenhua Energy, da China, a Peabody Energy e outras empresas japonesas, russas e sul-coreanas são as principais interessadas em desenvolver o depósito de Tolgoi, na Mongólia.
Grandes planos de exportação estão em curso na Colômbia e na África do Sul. O Grupo Abhijeet da Índia tem um novo contrato de US$ 7 bilhões para o "carvão vapor" de Kentucky e da Virgínia Ocidental.
Mas os planos de expansão enfrentam desafios. Na Mongólia, os depósitos estão em áreas remotas e em condições climáticas extremas. A África do Sul tem tendência a inquietações trabalhistas.
A Austrália é o maior exportador de carvão do mundo, mas novos regulamentos poderão aumentar seus preços, diz Jimmy Brock, o principal diretor operacional da Consol Energy, sediada em Pittsburgh, na Pensilvânia.
Os reguladores australianos temem que a Grande Barreira de Recifes possa ser danificada pela passagem de navios. Os portos também estão sujeitos a danos de tempestades e inundações.
As companhias de carvão americanas querem exportar o produto das minas de Wyoming e Montana, mas não há como despachar o carvão. Planos de enviar o minério a 2.400 quilômetros de distância por trem para cinco portos planejados no noroeste do Pacífico e no Canadá enfrentam intensa oposição ambientalista.
Mas, em longo prazo, o futuro do carvão depende da China e da Índia. Suas perspectivas parecem excelentes, principalmente porque ele é mais barato que seus concorrentes.


sábado, 6 de agosto de 2011

Documentário mostra perigos do uso de agrotóxicos


Documentário mostra perigos do uso de agrotóxicos

Filme de Silvio Tendler mostra que o Brasil é o maior consumidor de defensivos agrícolas
DENISE MENCHEN
DO RIO

Vanderlei Matos da Silva morreu aos 29 anos vítima de problemas no fígado após passar três anos e meio misturando defensivos químicos para cultivo de abacaxi.
A história dele e de outros agricultores está no documentário "O Veneno Está na Mesa", lançado pelo cineasta Silvio Tendler na última segunda-feira, no Rio.
Orçado em R$ 50 mil e financiado pela Escola Politécnica de Saúde Joaquim Venâncio, da Fiocruz, o filme expõe os perigos ligados ao uso de agrotóxicos no Brasil.
Desde 2008, o país é o principal mercado no mundo para esses produtos. Segundo a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o consumo anual chega a 5,2 litros por habitante. Muitas vezes, os produtos são usados de forma abusiva, segundo testes feitos pela agência.
O último deles, realizado em 2010, apontou problemas em 29% das amostras de alimentos examinadas. No caso do pimentão, esse percentual chegou a 80%.
"É um problema que incide na vida de todo mundo, mas parece que as pessoas optaram pela política de avestruz", diz Tendler, que já dirigiu documentários sobre o cineasta Glauber Rocha e o ex-presidente João Goulart.
Em 50 minutos, o filme costura depoimentos de agricultores e entrevistas com pesquisadores de universidades. Tem também denúncias de lobby da indústria contra medidas restritivas da Anvisa.
O filme estará disponível para download no site www.caliban.com.br a partir da próxima semana.