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quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Ataque a mesquita choca os israelenses


Ataque a mesquita choca os israelenses

Incêndio criminoso destruiu livros e o interior do templo numa aldeia; governo do país condenou ação 'ilegal e imoral'

Suspeita recai sobre extremistas judeus; autores picharam, em hebraico, a palavra 'vingança' nas paredes

MARCELO NINIO
DE JERUSALÉM
Uma mesquita na aldeia árabe de Tuba-Zangaria, no norte de Israel, foi incendiada na madrugada de ontem. A suspeita é que extremistas judeus sejam os autores.
O vandalismo chocou Israel, que, pela primeira vez, vê em seu território uma ação nos moldes da operação de vingança praticada há meses por colonos judeus contra aldeias palestinas.
A surpresa foi maior porque a população de Tuba-Zangaria, uma pacata aldeia árabe beduína de 5.000 pessoas, é considerada integrada ao Estado de Israel -muitos servem no Exército.
A polícia fez algumas prisões, mas não quis revelar detalhes da investigação. O fogo destruiu livros sagrados e todo o interior da mesquita.
Ao ver o estrago pela manhã, residentes da aldeia enfurecidos entraram em confronto com a polícia quando marchavam em direção à cidade de Rosh Pina.
À noite, a calma voltou à pequena aldeia da Galileia. Inconformado, Fuad Zangariya, imã da mesquita, disse que a aldeia sempre manteve relações amigáveis com os vizinhos judeus.
Os autores do ataque picharam paredes em hebraico com palavras como "vingança" e "etiqueta de preço". É assim que um grupo de colonos radicais batizou os atos de vingança na Cisjordânia, numa referência ao "preço" cobrado a cada concessão feita aos palestinos.
Quatro mesquitas foram vandalizadas na Cisjordânia neste ano, oliveiras de palestinos foram destruídas e houve até um ataque contra uma base militar israelense. Ninguém foi processado.
A estreia da operação "etiqueta de preço" em território israelense acabou com a indiferença do governo. O premiê Binyamin Netanyahu se disse "chocado", afirmando num comunicado que "esse crime contraria os valores do Estado de Israel". O motivo da vingança também foi grafitado na parede externa da mesquita: "Palmer", nome de um colono israelense que morreu há cerca de dez dias junto com o filho de um ano quando seu carro capotou na Cisjordânia.
O Exército afirmou que foi um atentado, depois de concluir que uma pedra havia sido jogada contra o veículo. No esforço para evitar uma deterioração na delicada relação com a população árabe, o presidente Shimon Peres e o rabino-chefe de Israel, Yona Metzger, fizeram uma visita à mesquita incendiada.
"É um dia difícil para toda a sociedade israelense, não só para o setor árabe", disse Peres, que classificou o ataque de "ilegal e imoral".
Falando a uma rádio de dentro da mesquita, Metzger afirmou que a cena lhe lembrava a Noite dos Cristais, a onda de ataques a judeus durante a ascensão do nazismo na Alemanha.
Para Elik Ron, ex-comandante do Exército israelense na região norte e na Cisjordânia, o governo acordou tarde. "Onde estava o premiê quando mesquitas foram atacadas na Cisjordânia?", questionou. "Se isso se repetir, incendiará toda a região."


terça-feira, 8 de março de 2011

Corte britânica impede que casal de cristãos sejam pais adotivos devido às suas convicções religiosas

Nottingham, 02 Mar. 11 / 05:46 pm (ACI)

Em uma sentença que poderia assentar precedentes legais na justiça britânica, em 28 de fevereiro dois juízes de Nottingham resolveram que um casal de esposos cristãos não poderia adotar uma criança devido à sua convicção de que o "estilo de vida homossexual" é inaceitável.

Eunice e Owen Johns, de 62 e 65 anos de idade respectivamente, são cristãos pentecostais da cidade de Derby que já cuidaram de 15 crianças como pais substitutos no passado. Eles não os adotavam, mas os criavam temporariamente como se fossem filhos seus.

Ambos foram levados a uma corte por um agente social que expressou sua "preocupação" pela perspectiva que ambos têm sobre o estilo de vida homossexual.

"Tudo o que nós queremos fazer é oferecer um lar cheio de amor a uma criança necessitada. Nós temos um bom passado como pais substitutos, mas como somos cristãos com uma ética sexual, aparentemente não somos suficientemente bons para ser (pais adotivos)”, assinalou Eunice Johns.

"Os juízes -denunciou- sugerem que nossa perspectiva pode prejudicar as crianças. A Comissão de Igualdade e Direitos humanos nos disse que nossas convicções poderiam 'infectar' os pequenos mas não acreditam que isso seja assim".

Johns também disse que "estamos preparados para amar e aceitar a qualquer criança. O que nós não queremos fazer é dizer a um pequeno que a prática homossexual é algo bom. Mais ainda, uma criança vulnerável acaba de perder a oportunidade de encontrar um lar seguro e serviçal em uma época em que existem poucos dispostos a cuidar ou adotar".

"Sentimo-nos excluídos e sentimos que não há lugar para nós na sociedade, não recebemos justiça e (os juízes) acreditam que se necessita uma perspectiva independente para revisar este caso" que estes esposos vão apelar.

Por sua parte Ben Summerskill, diretor da organização Stonewall que agrupa lésbicas, gays e bissexuais, comentou sobre a sentença que "os agrada que o tribunal tenha favorecido a decência do século XXI por cima do prejuízo do século XIX".

Os juízes Munby e Beatson encarregados do caso se referem em sua sentença à polêmica Lei de Igualdade e Orientação Sexual de 2010. Ambos assinalam que colocar uma criança aos cuidados dos Johns poderia "gerar um conflito com o dever da autoridade local de proteger e promover o bem-estar das crianças".

Para os juízes, neste caso não se atenta contra a liberdade religiosa dos Johns, que em todo caso fica em um segundo lugar "porque as leis sobre a igualdade quanto à orientação sexual devem ser consideradas primeiro".

A sentença também assinala que as autoridades podem exigir aos indivíduos uma "atitude positiva" para as inclinações e o estilo de vida homossexual.

Em opinião dos magistrados Munby e Beatson os Johns não sofreram discriminação religiosa já que sua exclusão como pais substitutos não se deve a isso mas às suas considerações éticas.

Andrea Williams, Diretora do Christian Legal Center do Reino Unido, reiterou que os juízes "efetivamente disseram aos Johns que suas perspectivas podem prejudicar aos meninos".

A decisão dos magistrados de Nottingham também se refere ao "assunto óbvio" de que Grã-Bretanha é "um estado secular e não uma teocracia" por isso "apoiar-se em uma crença religiosa não pode imunizar nunca o crente do alcance da lei secular".

Williams advertiu que "a lei começou a ser interpretada pelos juízes de tal modo que favorece os 'direitos' homossexuais por cima da liberdade de consciência. Diversas áreas da vida pública estão saindo do espectro de cristãos que não querem comprometer suas crenças".

"Se a moral cristã prejudica as crianças e é inaceitável para o Estado, então quantos anos restam antes que os filhos naturais sejam arrebatados de seus pais cristãos?", questionou a advogada.

A controvertida norma sobre a orientação sexual em Grã-Bretanha forçou o fechamento das agências de adoção católicas, depois que a comissão encarregada de velar por seu cumprimento estabeleceu que estas instituições não podiam rejeitar casais homossexuais como futuros pais adotivos.

Catholic Care, a última agência a ser fechada, foi obrigada a fazê-lo em agosto de 2010.

Sobre a adoção por parte de homossexuais, o Instituto Valenciano de Fertilidade, Sexualidade e Relações Familiares (IVAF) recorda que "uma criança tem direito a um pai e uma mãe, direito que seria transgredido se ela for entregue a dois homens ou a duas mulheres".

"Duas pessoas do mesmo sexo não são idôneos para criar e educar as crianças, que careceriam de referente paterno/masculino (no caso de duas lésbicas) ou materno/feminino (se forem dois homossexuais)", precisa.

Origem: ACI Digital (ACI significa Agência Católica de Informações).  

Um comentário: pelo veredicto da justiça inglesa, estão sobrando pais adotivos naquele país, de modo que o estado rejeita pais adotivos com convicções contra o homossexualismo, ou "contra a tolerância" como foi dito. Ou acreditam que, proibindo o acesso à adoção a casais com estas convicção, as crianças terão melhor educação, e criação amorosa nas instituições do estado, que em um lar. Acho difícil crer nesta última assertiva.