Mostrando postagens com marcador Mato Grosso. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Mato Grosso. Mostrar todas as postagens

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Após denunciar extração ilegal, agricultor é morto em MT

Após denunciar extração ilegal, agricultor é morto em MT

Josias Paulino de Castro, líder do assentamento Filinto Müller, e a mulher, Ereni, foram assassinados a tiros; ele havia sido ameaçado
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Pouco mais de uma semana após denunciar extração ilegal de madeira, desvio de verbas e emissão irregular de títulos de terra, o agricultor Josias Paulino de Castro, 54, e sua mulher, Ereni da Silva Castro, 35, foram mortos em Mato Grosso. Eles foram achados em uma estrada em Guariba, zona rural de Colniza (a 1.065 km de Cuiabá).
Josias era presidente da Associação dos Produtores Rurais Nova União, do assentamento Projeto Filinto Müller.
Moradores acionaram a Polícia Civil no início da manhã do domingo (17) para indicar o local dos corpos.
O casal provavelmente andava de moto quando foi alvejado. Havia nove cápsulas de pistolas de 9 mm próximas aos corpos. Ereni estava de capacete e segurava uma máquina fotográfica, que foi atingida.
Segundo a Polícia Técnica do Estado, a Polícia Civil não solicitou a realização de uma perícia no local do crime.
Segundo Ademilson Silva, dono da funerária que preparou os corpos para o enterro e os levou para Rondônia, um médico-legista teria olhado rapidamente os corpos: "Como o serviço é muito precário, só deram uma olhada. A polícia olhou e liberou".
Segundo a Polícia Civil, Josias era conhecido na região por sua liderança no assentamento. O delegado Marco Remuzzi instaurou um inquérito. Testemunhas devem ser ouvidas nesta semana.
Em 5 de agosto, Josias participou de uma reunião no Instituto de Terras de Mato Grosso em Cuiabá. Ele reiterou suas denúncias ao ouvidor agrário nacional, Gercino José da Silva, sobre emissão ilegal de posse de terra por órgãos estaduais e presença de pistoleiros na região. O agricultor alertou que estava ameaçado de morte.
"Assim como Josias, também fui ameaçado. Aqui lutamos por justiça. A corrupção é muito grande", diz José Valdivino da Silva, 48, morador do assentamento há 12 anos. "Ele era meu parceiro de batalha na região", diz Silva. "Nós temos carimbo e assinatura dizendo que essa terra é para nos assentar."
Segundo Silva, o assentamento foi criado na década de 1980 com cerca de 917 mil hectares, hoje reduzidas a um terço desta área.
Em Mato Grosso, três pessoas já morreram neste ano em conflitos no campo, o mesmo número de todo o ano passado. Em nota, a Comissão Pastoral da Terra repudiou a violência.
Segundo a CPT, só em 20 dias de julho sete pessoas foram assassinadas. Neste ano, em todo o Brasil, 23 pessoas já foram mortas em disputas de terra.
A Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura lamentou as mortes e pediu uma reforma agrária ampla e massiva.

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Decisão sobre área indígena leva ruralistas às estradas


Decisão sobre área indígena leva ruralistas às estradas

Posseiros e sindicalistas rurais bloqueiam trechos da BR-158

Os fazendeiros estão oferecendo churrascos para acalmar os caminhoneiros retidos pela mobilização

DANIEL CARVALHO JUCA VARELLA ENVIADOS ESPECIAIS A MATO GROSSO

Sindicatos rurais do nordeste de Mato Grosso se uniram aos posseiros que desde o início da semana estão sendo expulsos por ordem judicial da área indígena xavante Marãiwatsédé.
Embora não sejam afetados pela retirada, os ruralistas engrossam a resistência em bloqueios promovidos desde a semana passada em vários trechos da BR-158, que liga o Estado ao Pará.
Os deslocamentos pela região, já difíceis, ficaram quase impraticáveis.
Em Posto da Mata, distrito de Alto Boa Vista (MT) que é o principal foco de tensão, o bloqueio começou no último dia 5 e desde então teve poucas horas de tráfego liberado.
A PRF (Polícia Rodoviária Federal) confirmou ontem outros atos em Alto Boa Vista e em Barra do Garças.
Folha presenciou ao menos mais dois bloqueios: um em Vila Rica, divisa com o Pará, e outro em Confresa, município seguinte, rumo ao sul.
Em Vila Rica, uma carreta foi atravessada na pista às 12h (13h pelo horário de Brasília). Um conselheiro do sindicato rural local, que não se identificou, exigiu identificação da equipe da Folha -disse que desconfiava de militantes sociais infiltrados.
"Gente de ONG a gente quebra", afirmou, até ser acalmado por colegas.
Os manifestantes se instalaram sob toldos com faixas de protesto: "Dilma Rousseff, o povo do Araguaia merece mais respeito". Promoviam churrascos para acalmar os motoristas retidos.
O caminhoneiro José Sousa França, 31, que deixara o Piauí rumo a Canarana (MT), ficou parado com a carreta vazia. Disse concordar com a manifestação. "O governo está fazendo com eles uma injustiça muito grande", disse, antes de descer do veículo para comer com os ruralistas.
Fiéis da Assembleia de Deus que vinham do sul do Pará para um encontro da igreja desceram no bloqueio e foram a pé, com bagagens, até o hotel. Um fazendeiro que transportava adubo convocou peões para carregar dez sacos de 50 quilos cada até outro carro.
Seguindo mais 85 km, a reportagem encontrou outro bloqueio, perto de Confresa. No local, produtores diziam temer que suas terras também sejam declaradas área indígena. "Pode acontecer aqui", disse Nerci Wagner.
Para escapar do bloqueio e seguir rumo a Posto da Mata, a Folha precisou pegar um desvio de 30 km por estrada de terra.
HISTÓRICO
Os xavantes foram retirados de suas terras na década de 1960 pelo governo militar. Índios e posseiros enfrentam-se na Justiça desde 1995. A área foi homologada como terra indígena em 1998.
Cerca de 2.400 não índios vivem na terra dos xavantes, e a Justiça Federal determinou que eles deixem a área até o próximo dia 17. Na segunda houve confronto entre posseiros e forças policiais.
Não havia agentes da Polícia Rodoviária Federal nos bloqueios por onde a reportagem passou ontem. O chefe de Operações da PRF em Mato Grosso, Fabiano Jandrei, disse ter efetivo reduzido e que não colocaria homens em risco para interromper os atos.